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Liga Árabe discute novas medidas contra repressão na Síria

Bloco estuda o envio de uma missão conjunta com observadores da ONU

Os ministros das Relações Exteriores árabes se reúnem neste domingo no Cairo para discutir os novos passos que darão em relação à Síria, onde as forças do regime do ditador Bashar Assad continuam a reprimir violentamente os opositores do governo – neste domingo já morreram mais 11 pessoas, segundo a oposição. Em uma semana, o bombardeio à cidade de Homs, bastião da oposição, deixou mais de 450 mortos.

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Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março para protestar contra o regime de Bashar Assad, no poder há 11 anos.
  2. • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança do ditador, que já mataram mais de 5.400 pessoas no país, de acordo com a ONU, que vai investigar denúncias de crimes contra a humanidade no país.
  3. • Tentando escapar dos confrontos, milhares de sírios cruzaram a fronteira e foram buscar refúgio na vizinha Turquia.

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No encontro previsto para esta tarde, a Liga Árabe deve discutir a possibilidade de enviar à Síria uma missão conjunta de observadores do bloco e das Nações Unidas. As chances disso ocorrer aumentaram após o chefe dos observadores árabes que estavam na Síria, o general sudanês Ahmed Mustafa al Dabi, apresentar neste domingo sua renúncia.

A designação de Dabi como chefe da delegação de observadores gerou no início críticas da oposição síria, que era contra a escolha do general, envolvido nos conflitos da região sudanesa de Darfur. O ex-ministro das Relações Exteriores jordaniano, Abdelelah al-Khatib, foi nomeado para o cargo.

A escalada de insegurança na Síria levou a Liga Árabe a suspender sua missão no país em 28 de janeiro, medida que segue em vigor até que os ministros árabes tomem uma decisão a respeito. Os países da Liga Árabe vão estudar ainda o possível reconhecimento do Conselho Nacional Sírio, principal órgão da oposição ao regime de Assad no exterior, como legítimo representante da população síria.

ONU – Enquanto isso, as nações árabes seguem pressionando as Nações Unidas a agir para interromper os conflitos. Depois de uma proposta de resolução sobre a Síria que condena o regime de Assad ter sido vetada por Rússia e China no Conselho de Segurança na semana passada, o bloco árabe deve apresentar um projeto similar em alguns dias.

A intenção é votar até o final da próxima semana a nova resolução, que não exige a saída de Assad do poder – a última proposta do organismo pan-árabe estipulava que o ditador sírio, repassasse o cargo ao vice-presidente e formasse um governo de união nacional, mas a ideia encontrou resistência do governo russo, aliado comercial e estratégico de Assad.

Mortes – Neste domingo, o grupo opositor Comissão Geral da Revolução Síria informou a morte de mais 11 pessoas provocada por disparos das forças de segurança e do Exército em distintas partes do país. Cinco óbitos ocorreram na província de Homs, reduto da oposição no centro do país que desde a última semana sofre uma dura ofensiva das tropas do regime.

Outras quatro mortes foram registradas em Idleb, no norte da Síria, e as duas restantes em Deraa, na região sul, e Aleppo, no norte, a segunda maior cidade do país. Desde o início dos protestos contra o regime de Assad em março, mais de 5.400 pessoas morreram, segundo a ONU.

(Com agência EFE)