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Líderes da Otan afirmam que China é desafio para a segurança global

Discurso firme adotado pelos aliados foi influenciado por Joe Biden, que participa de sua primeira cúpula do grupo desde que se tornou presidente dos EUA

Por Julia Braun Atualizado em 14 jun 2021, 16h57 - Publicado em 14 jun 2021, 16h56

Os líderes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) concluíram a cúpula desta segunda-feira, 14, em Bruxelas, com uma mensagem dura contra a China: segundo o grupo, o país asiático representa uma ameaça constante à segurança mundial e trabalha para minar a ordem global.

As palavras escolhidas para o comunicado final da reunião sincronizam perfeitamente com as políticas conduzidas presidente americano Joe Biden, que em seu primeiro encontro da Otan tinha como um de seus objetivos principais fazer com que os aliados se manifestassem de forma unificada contra algumas das práticas comerciais, militares e de direitos humanos do governo chinês.

“As ambições declaradas e o comportamento assertivo da China apresentam desafios sistêmicos à ordem internacional baseada em regras e outras áreas relevantes para a segurança da Aliança. Estamos preocupados com políticas coercitivas que contrastam com os valores fundamentais que o Tratado de Washington preserva”, disseram os líderes da Otan em seu comunicado.

“Exortamos a China a cumprir seus compromissos internacionais e a atuar com responsabilidade no sistema internacional, incluindo nos domínios espacial, cibernético e marítimo, de acordo com seu papel de grande potência”, declararam ainda.

A Otan também alertou para a rápida expansão do arsenal nuclear de Pequim “com mais ogivas e um maior número de sistemas sofisticados para estabelecer uma tríade nuclear”, ou seja, a divisão do arsenal atômico de um país em mísseis terrestres, projéteis carregados por bombardeiros estratégicos e os transportados por submarinos nucleares.

Segundo enfatizaram, a China é “pouco transparente na implementação de sua modernização militar e sua estratégia de fusão civil-militar declarada publicamente” e, além disso, “coopera militarmente com a Rússia, inclusive por meio da participação em exercícios russos na área euro-atlântica”.

“Continuamos preocupados com a habitual falta de transparência e com o uso de desinformação por parte da China”, completaram os líderes da Otan.

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Por outro lado, os líderes dizem acolher positivamente “oportunidades para interagir” com a China “em áreas de relevância para a Aliança e em desafios comuns, como as alterações climáticas” e para manter um diálogo construtivo com Pequim “sempre que possível”, uma vez que enxergam valor nas “trocas de informação sobre as respectivas políticas e atividades para discutir potenciais desacordos”.

“Os aliados exortam à China que assuma um compromisso significativo com o diálogo, a construção da confiança e as medidas de transparência em torno das suas capacidades e doutrina nucleares. A transparência e a compreensão mútuas beneficiariam tanto a Otan como a China”, concluem os aliados no texto.

Rússia

Em seu primeiro encontro da aliança e durante seus últimos dias de viagem, Joe Biden também pressionou seus aliados a adotarem uma política mais dura em relação à Rússia, apesar da Aliança sempre ter se mostrado crítica a algumas das decisões do Kremlin. Como consequência, o comunicado divulgado pela Otan nesta segunda também usa palavras agressivas em relação às políticas do governo de Vladimir Putin.

O grupo afirmou que as ações “agressivas” da Rússia constituem “uma ameaça à segurança euro-atlântica” e garantiu que, “nas atuais circunstâncias”, o conflito na Ucrânia é “o primeiro ponto” da agenda da Aliança Atlântica. “A recente escalada militar maciça e as atividades de desestabilização na Ucrânia e ao redor dela aumentaram ainda mais as tensões e minaram a segurança”, destacaram os 30 líderes.

Os aliados mais uma vez reiteraram sua condenação da anexação “ilegal” da Crimeia em 2014 e exigiram que Moscou retire suas tropas no leste da Ucrânia e pare de restringir a navegação no Mar Negro e impedir o acesso ao Mar de Azov, como vem fazendo desde abril.

Além disso, lembraram que a Rússia é um dos signatários dos acordos de paz de Minsk e destacaram que “como tal tem uma grande responsabilidade” e, por isso, pediram ao Kremlin que pare de “alimentar” o conflito com seu apoio militar e financeiro às tropas no leste da Ucrânia.

(Com EFE)

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