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Kim Jong-Un se torna Marechal e consolida seu poder na Coreia do Norte

O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-Un, foi nomeado Marechal nesta quarta-feira, título que apenas seu avô e seu pai ostentaram anteriormente, mais um indício de que está consolidando seu poder no país.

“Foi tomada a decisão de conceder o título de ‘Marechal da República Popular Democrática da Coreia’ a Kim Jong-Un, comandante supremo do Exército popular coreano”, anunciou nesta quarta-feira a KCNA, a agência oficial de Pyongyang.

Esta medida foi decidida na terça-feira por vários líderes de alto escalão do Estado e do Partido dos Trabalhadores, o partido único no poder.

As duas únicas pessoas que receberam antes este título são seu avô, Kim Il-Sung, fundador da Coreia do Norte e que dirigiu o país até sua morte, em 1994, e seu pai Kim Jong-Il, líder de 1994 a 2001.

Depois da morte deste último, seu filho de menos de trinta anos – sua data de nascimento é desconhecida – o sucedeu.

“Ao se vestir como os Kims anteriores, Jong-Un se projeta como o sucessor legítimo do trono e reforça seu controle do poder”, declarou à AFP o professor Kim Yong-Hyon, da universidade Dongguk.

Esta promoção é feita depois do anúncio de várias mudanças na liderança do poderoso exército norte-coreano, que conta com 1,2 milhão de soldados, ou seja, o quarto no mundo em termos de efetivos.

Na segunda-feira, Pyongyang anunciou a saída de Ri Yong-Ho, considerado uma das figuras chave do regime e que nos últimos meses estava, frequentemente, junto ao novo líder.

Ri foi afastado de todas as suas funções, entre elas a de comandante das forças armadas, “por razões de saúde”, um pretexto, segundo os analistas.

Este anúncio público incomum em um dos países mais secretos e mais fechados do mundo, indica, segundo os especialistas, que Kim Jong-Un reforça seu controle militar.

Na terça-feira, o Norte anunciou a promoção ao grau de vice-marechal de uma pessoa próxima ao regime, Hyon Yong-Chol, que, de acordo com as evidências, deve substituir Ri.

Segundo o especialista Cheong Seong-Chang, do Instituto Sejong, Kim Jong-Un precisava de um novo título para aparecer como o verdadeiro chefe das forças militares de seu país.

Marechal da RPDC (República Popular Democrática da Coreia) é “o único título que Jong-Un ainda não possuía, depois de ocupar quase todas as funções supremas no seio do exército e do partido”, acrescentou.

O jovem líder destituiu vários militares de alto escalão da geração de seu pai, entre os quais o ex-ministro das Forças Armadas Kim Yong-Chun e o chefe dos serviços secretos, U Dong-Chuk.

Sob a liderança de Kim Jong-Il, que promovia a doutrina de “Songun” (“o exército primeiro”), os militares aumentaram ainda mais seu poder. O exército está presente na agricultura, na pesca, nos projetos de construção, e controla, sobretudo, a maioria do comércio norte-coreano, estimado em 6,3 bilhões de dólares para 2011.

“Ocorreram tentativas recentes de retomar os setores mais rentáveis das mãos dos militares e de colocá-los sob o controle do governo”, indicou uma autoridade do ministério sul-coreano das Relações Exteriores.

“Um verdadeiro controle sobre as forças armadas é crucial nos esforços do Norte para melhorar os meios de subsistência da população”, acrescentou este funcionário ao jornal sul-coreano Joongang Daily.

Segundo a KCNA, a ascensão de Kim Jong-Un provocou cenas de alegria no país. “A notícia correu rápido, dando alegria e um orgulho enorme a toda a nação”, afirmou a agência.