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Karzai exige que americanos transfiram o controle da prisão de Bagram

Por Massoud Hossaini 5 jan 2012, 13h06

O presidente afegão Hamid Karzaï ordenou nesta quinta-feira a transferência do controle da prisão gerenciada pelos americanos em Bagram no período de um mês. Ele evocou principalmente as violações dos direitos Humanos cometidas no estabelecimento.

Vários analistas consideram esta injunção significativa porque a prisão em questão para os afegãos é o símbolo da ocupação americana, uma maneira indireta de Karzaï expressar seu descontentamento com a estratégia de Washington de negociar sem ele a paz com os talibãs.

“Hamid Karzai nomeou uma comissão para que o controle da prisão de Bragram seja inteiramente confiado ao governo afegão em um prazo de um mês a partir da quinta-feira”, informou um comunicado da presidência.

Durante uma reunião nesta quinta-feira, Karzai ouviu um relatório de Gul Rahman Qazi, presidente da comissão de monitoramento da Constituição afegã, das leis do país e das convenções em vigor sobre os direitos Humanos.

“Conforme o acordo precedente sobre a transferência da prisão e de todos os prisioneiros nas mãos de estrangeiros, ele pediu à comissão para operar um controle total dentro de um mês, contando a partir do dia 5 de janeiro, a fim de que outra ruptura da soberania afegã seja evitada”, afirma o texto.

Na véspera, o presidente Karzaï aceitou o início da negociação de paz entre os Estados Unidos e os rebeldes talibã por meio de um escritório de representação instalado fora do Afeganistão, no Qatar, sem o envolvimento do governo afegão.

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A ideia foi aceita sob pressão americana, mas sem seu apoio, segundo explicou nesta quinta-feira à AFP uma autoridade do governo.

“Karzai sentiu e percebeu que seu governo está sendo deixado de lado pelos americanos e sendo afastado das negociações”, explicou o analista político Waheed Mujda.

Com esta atitude, “ele quer reafirmar sua posição e mostrar que seu governo tem importância e que deve ser considerado com um dos atores principais”.

“Ele quer mostrar aos americanos que o papel de seu governo, sobretudo em relação aos últimos acontecimentos, não deve ser ignorado”, acrescentou.

Em outubro de 2010, um tribunal americano considerou que o Pentágono, procurado pela ACLU, uma organização americana de defesa das liberdades civis, tinha o direito de não divulgar informações detalhadas sobre os detidos na prisão localizada na base americana em Bagram.

A ACLU, que desejava tornar público os dados como a nacionalidade, a data de prisão e as circunstâncias da detenção de certos presos (645 no dia 22 de setembro de 2009) de Bagram, caracterizou esta prisão como a “nova Guantánamo”, denunciando “a ausência de transparência” dos americanos sobre o assunto.

A administração americana já foi criticada pela tortura praticada por soldados americanos contra presos da prisão iraquiana de Abou Ghraïb e pelos segredos envolvendo a de Guantánamo.

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