Clique e Assine a partir de R$ 19,90/mês

Kadhafi diz que notícias sobre sua fuga fazem parte de guerra psicológica

Por Da Redação 8 set 2011, 14h09

Muamar Kadhafi, ex-homem forte da Líbia que ainda se encontra foragido, rebateu nesta quinta-feira o que chamou de “guerra psicológica e mentiras” sobre as especulações de uma eventual fuga para Níger, em uma mensagem de áudio divulgada pelo canal de televisão Arrai, com sede em Damasco.

“Já não resta a eles mais nada além da guerra psicológica e das mentiras. Afirmaram recentemente que viram Kadhafi em um comboio que seguia para Níger”, declara Kadhafi em sua primeira mensagem em vários dias.

A emissora informou que Muamar Kadhafi falou por telefone, em um conversa gravada minutos antes da divulgação por “motivos de segurança”.

“Quantos comboios de contrabandistas, de mercadorias e de pessoas entram no deserto todos os dias para Sudão, Chade, Mali ou Argélia. Como se fosse a primeira vez que um comboio entra em Níger!”, exclamou.

Ao discursar para os líbios, o ex-ditador afirmou: “Querem baixar o nossa moral, não se preocupem com este inimigo fraco e ignóbil”.

“A Otan será vencida porque suas capacidades materiais não permitem que continue com a intervenção”.

“Estamos preparados em Trípoli e em todas as partes para intensificar os ataques contra os ratos e mercenários, que são um bando de cães”, completou Kadhafi.

A entrada de um comboio de veículos civis e militares procedentes da Líbia em Agadez, cidade do norte de Níger, gerou especulações sobre uma fuga de Kadhafi, antes de uma série de desmentidos.

Desde a queda do regime, Kadhafi convocou a resistência em várias mensagens de áudio divulgadas pelo canal Arrai.

Continua após a publicidade

As últimas imagens de Kadhafi datam de 12 de junho.

O procurador do Tribunal Penal Internacional, Luis Moreno Ocampo, pediu à Interpol que emita uma “notificação vermelha” para capturar Kadhafi, em virtude da ordem de prisão ditada pelo TPI contra o ex-líer líbio.

O TPI também pediu notificações vermelhas contra o filho de Kadhafi, Seif al-Islam, de 39 anos, e seu cunhado e chefe dos serviços de inteligência, Abdullah al-Senusi, de 62 anos, pelas mesmas acusações.

As notificações vermelhas da Interpol são utilizadas para pedir a prisão preventiva visando à extradição de uma pessoa procurada, e se baseiam numa ordem de prisão ou numa resolução judicial.

Pouco antes, o presidente do Banco Central líbio, Qasem Azoz, afirmou que Kadhafi vendeu mais de 20% das reservas de ouro do país durante os últimos dias do regime.

Quase 29 toneladas de ouro, avaliadas em mais de um bilhão de dólares, foram vendidas a comerciantes locais, informou o presidente do BC líbio.

“O ouro foi negociado para pagar os salários e dispor de liquidez, em particular em Trípoli”, declarou Azoz.

Provavelmente o ouro foi levado da Líbia para a Tunísia, segundo autoridades do BC líbio.

A venda ocorreu nos dias anteriores a 23 de agosto, quando as tropas insurgentes entraram na residência do ex-dirigente, afirmou Azoz.

O presidente do BC líbio informou ainda que os ativos da instituição alcançam 115 bilhões de dólares, 90 bilhões deles no exterior.

Continua após a publicidade
Publicidade