Clique e assine a partir de 9,90/mês

Kadafi enviou representante a Londres para negociar com governo britânico

Fontes do jornal inglês The Guardian acreditam que o ditador esteja negociando uma saída vantajosa

Por Da Redação - 1 abr 2011, 06h50

Muammar Kadafi enviou um de seus mais confiáveis representantes a Londres para “conversas secretas” com o governo britânico, informa reportagem do jornal inglês The Guardian nesta sexta-feira.

De acordo com a publicação, Mohammed Ismail, um assessor especial de Saif al-Islam, filho de Kadafi, teria mantido contato estreito com membros do Ministério das Relações Exteriores da Grã-Bretanha. A sinalização é de que Kadafi tenta negociar uma saída vantajosa do poder.

Nesta quinta-feira, o ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, William Hague, pediu aos políticos próximos ao ditador líbio Muamar Kadafi que abandonem seus cargos, como o fez o chanceler Moussa Koussa, que chegou na quarta-feira a Londres após desertar.

Em sua condição de chefe do serviço de inteligência, de 1994 a 2009, Kussa foi o homem forte dos comitês revolucionários, coluna vertebral do regime líbio e homem de confiança de Kadafi. Na avaliação do ministro britânico das Relações Exteriores, William Hague, a deserção de Kussa demonstra que regime líbio “está afundando por dentro”. Os EUA também gostaram da novidade – uma fonte do governo disse que ela indica uma deterioração do poder de Kadafi.

Continua após a publicidade

Em declarações à imprensa na chancelaria britânica, Hague disse que Koussa está sendo interrogado por funcionários britânicos. Ele não recebeu oferta de imunidade num possível processo judicial britânico ou internacional. A decisão do chanceler de abandonar a Líbia demonstra que o regime de Kadafi está “fragmentado, pressionado e desmoronando”, afirmou o ministro britânico.

A debandada dos aliados de Kadafi prosseguiu na quinta-feira. Ali Abdussalm Treki, embaixador da Líbia na Organização das Nações Unidas (ONU), renunciou ao cargo e condenou o “banho de sangue”, provocado pelo ditador Muamar Kadafi. As declarações do político, que também já ocupou o cargo de chanceler do país, foram feitas em um comunicado enviado por seu sobrinho, Soufian Treki, à agência de notícias Reuters.

“Decidi não continuar a trabalhar e não aceitar nenhuma tarefa”, diz Treki na nota. “Oro a Deus para que me ajude a participar da salvação dessa preciosa nação”, afirma. O embaixador líbio ainda pediu um diálogo nacional para resolver a crise política no país.

Publicidade