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Justiça da Venezuela concede prisão domiciliar a opositor Ceballos

O ex-prefeito de San Cristóbal Daniel Ceballos estava preso desde março de 2014

Um tribunal de Caracas concedeu, nesta terça-feira, o regime de prisão domiciliar por razões de saúde ao ex-prefeito de San Cristóbal Daniel Ceballos, um dos vários políticos da oposição na mira do governo de Nicolás Maduro. Ceballos foi preso em março de 2014 sob acusação de incitar a violência em protestos de rua contra o herdeiro de Hugo Chávez.

“Após a solicitação do Ministério Público, o Tribunal 15º de Justiça da Área Metropolitana de Caracas (AMC) acordou uma medida cautelar de prisão domiciliar para Daniel Ceballlos, por razões de saúde”, informou o Ministério Público em um comunicado. Ceballos, líder do partido de oposição Vontade Popular, “será levado a uma residência localizada em Caracas, na qual cumprirá a medida”, completa o comunicado. A informação foi anunciada no Twitter por sua esposa e atual prefeita de San Cristóbal, Patricia de Ceballos, e por seu advogado Juan Carlos Gutiérrez, que comemorou a decisão como “um avanço para a liberdade”.

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No último 11 de junho, Ceballos pôs fim a uma greve de fome em protesto por sua detenção, que havia iniciado 20 dias antes junto ao líder de seu partido Leopoldo López, também detido após ser acusado de incitar a violência durante os protestos que agitaram a Venezuela em 2014, e que deixaram 43 mortos e centenas de feridos.

“Após a greve de fome, ele está em recuperação. A prisão domiciliar lhe permitirá fazer exames detalhados, ter uma equipe multidisciplinar, que fará avaliações e diagnosticará com precisão seu estado de saúde. Serão seus médicos que explicarão suas condições de saúde”, declarou seu advogado.

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Ceballos, preso desde 19 de março de 2014, permanece há vários meses em uma sede de detenção policial dos serviços de inteligência em Caracas, e previamente havia permanecido em uma prisão para criminosos comuns do Estado de Guárico e na prisão militar de Ramo Verde, nos arredores de Caracas, onde López continua detido.

Em 1º de maio, o prefeito de Caracas Antonio Ledezma, preso desde fevereiro por sua suposta conspiração contra o governo venezuelano, foi transferido para sua residência após ser operado de uma hérnia, onde permanece também em regime de prisão domiciliar.

(Com AFP)