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Junta militar de Mali adia convenção nacional

Bamaco, 4 abr (EFE).- A Junta Militar que governa Mali desde 22 de março anunciou nesta quarta-feira o adiamento da reunião prevista para quinta-feira, à qual estavam convocadas todas os partidos políticos e a sociedade civil do país.

‘O Comitê Nacional para a Recuperação da Democracia e a Restauração do Estado (CNRDRE) informa a opinião pública nacional e internacional do adiamento da convenção nacional prevista inicialmente para quinta-feira’, diz a nota.

Em comunicado divulgado via rádio e televisão, os militares explicaram que a decisão foi aprovada por todas as partes e que a nova data será anunciada de comum acordo com ‘todas as partes envolvidas’.

Horas antes do anúncio, uma fonte próxima à Junta já havia comentado com a Agência Efe sobre a possibilidade do adiamento, confirmado depois de a principal coalizão antigolpista, a Frente Unida pela República e a Democracia (FRD), anunciar que não participaria da convenção.

O presidente da FRD, Siaka Diakité, ressaltou em comunicado seu compromisso com a antiga ordem constitucional.

‘Nós queremos voltar à antiga ordem constitucional (…) Nossa posição é clara, que os militares retornem aos quartéis e atuem para garantir a segurança e a defesa do território’, sustentou Diakité, secretário-geral da União de Trabalhadores Malineses.

A convenção estava apoiada pelo grupo conhecido como Movimento Popular de 22 de Março (MP22), uma plataforma que defende abertamente os golpistas.

O adiamento foi decidido após uma reunião consultiva realizada no quartel de Katti, a 15 quilômetros de Bamaco, e de acordo com a maior parte dos partidos, conforme o comunicado que indica que a medida foi tomada para dar mais tempo aos grupos políticos e à sociedade civil para que possam preparar a reunião.

O presidente do CNRDRE, Amadou Haye Sanogo, incentivou na terça-feira as forças políticas a participar de uma convenção nacional para definir o futuro do país ‘de uma maneira consensual, democrática e com total liberdade’.

Com esta convocação, o líder pretendia dar uma resposta ao embargo imposto pela Comunidade Econômica dos Estados de África Ocidental (Cedeao) com o objetivo de pressionar a junta militar para devolver o poder. EFE