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Juíza diz que capitã do Sea Watch agiu para salvar vidas e manda soltá-la

Magistrada italiana concluiu que Carola Rackete não desrespeitou a lei ao furar bloqueio e desembarcar 41 imigrantes africanos resgatados por navio holandês

Uma juíza italiana determinou nesta terça-feira, 2, que a capitã alemã de um navio de resgate humanitário não quebrou nenhuma lei ao forçar o bloqueio naval no fim de semana, alegando que ela estava cumprindo sua obrigação de proteger a vida humana.

Carola Rackete, de 31 anos, foi presa no sábado, 29, após desobedecer as ordens das autoridades italianas e atracar no porto de Lampedusa para desembarcar 41 imigrantes africanos que haviam sido resgatados pelo navio de bandeira holandesa Sea Watch.

O veredicto da juíza Alessandra Vella de que Carola estava cumprindo sua obrigação e não cometeu nenhum ato de violência representa um duro revés para o ministro do Interior nacionalista, Matteo Salvini, de extrema direita e anti-imigração.

O Sea Watch furou o bloqueio da Guarda Costeira italiana, ignorando solenemente a ordem de Salvini, que proibiu o barco de atracar na Itália – um decreto aprovado em junho prevê multa de até € 50 mil (mais de R$ 200 mil) para quem desembarcar imigrantes no país.

No dia 12, o navio resgatou 53 pessoas que estavam à deriva em um bote de borracha na costa da Líbia – 11 eram crianças, mulheres ou doentes, considerados “vulneráveis” e foram retirados do barco pela Guarda Costeira italiana. Os outros 42 permaneceram a bordo, mas cada vez mais debilitados.

Na noite de sexta-feira, dois passageiros doentes tiveram que ser retirados às pressas, e os demais passageiros ameaçavam se jogar na água se não houvesse uma solução, após 17 dias aguardado autorização para desembarcar. “A comandante Carola não tinha outra opção”, disse Giorgia Linardi, porta-voz da Sea Watch Italia, ao jornal La Repubblica, acrescentando que “durante 36 horas tinha declarado estado de necessidade, que as autoridades italianas haviam ignorado”. “Foi uma decisão desesperada”, disseram Leonardo Marino e Alessandro Gamberini, os advogados da Sea Watch, uma ONG com sede na Alemanha.

A Itália havia proibido que a embarcação atracasse até que outros países da União Europeia chegassem a um compromisso para acolher os migrantes a bordo. Cinco países – França, Alemanha, Luxemburgo, Portugal e Finlândia – se manifestaram dispostos a recebê-los. Como a capitã não obtinha nenhuma resposta das autoridades italianas, declarou “estado de necessidade” para atracar no porto de Lampedusa.

(Com Agências Internacionais)