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Juiz aceita alegação de insanidade de atirador do Colorado

James Holmes passará por um período de avaliação médica antes de ser julgado pelo assassinato de doze pessoas na estreia de um filme do Batman

Os advogados de James Holmes, atirador que matou doze pessoas em um cinema de Aurora, no Colorado, apresentaram nesta terça-feira a declaração de não culpado com base no argumento de insanidade mental. O juiz do caso aceitou a alegação e Holmes será encaminhado a um instituto de saúde mental para um período de avaliação, informou a rede americana CNN. Pouco mais de trinta minutos após o início da exibição do filme Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge, em uma sessão de estreia no dia 20 de julho do ano passado, Holmes entrou na sala de cinema e abriu fogo contra os espectadores. O massacre durou cinco minutos. A polícia chegou logo depois da primeira chamada de emergência e conseguiu prender o assassino no estacionamento. Questionado nesta terça se tinha alguma pergunta a fazer sobre a alegação, Holmes respondeu apenas que “não”.

Em ocasiões anteriores, a defesa já havia chamado argumentado que seu cliente teria problemas de saúde mental. Porém, antes de apresentar a declaração, questionaram as leis do Colorado, ao dizer que o quadro de Holmes não se encaixava nos padrões estabelecidos pelo governo local, que caracteriza a insanidade como a incapacidade de distinguir o certo do errado devido a uma doença ou a imperfeições no cérebro. Os advogados chegaram a cogitar uma declaração de culpa, para escapar da pena de morte, mas mudaram de estratégia depois que a promotoria rejeitou um acordo em torno de uma condenação à prisão perpétua.

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O atirador será encaminhado para o Instituto de Saúde Mental do Colorado e só retornará para a cadeia em 2 de agosto. Os exames devem apontar as reais condições de saúde do criminoso durante o ataque. Os resultados serão anexados ao processo. A análise médica não anula a possibilidade de o júri declarar Holmes culpado dos crimes.

O juiz também autorizou nesta terça que um pacote que Holmes enviou a seu psiquiatra antes do ataque pode ser apresentado como prova. Segundo documentos judiciais, o atirador enviou ao médico 400 dólares em notas queimadas de 20 dólares, uma nota com um sinal de infinito e um caderno de anotações com um aviso: “James Holmes, da Vida”. A defesa havia argumentado anteriormente que o pacote está protegido pela confidencialidade entre médico e paciente. Mas, com a alegação de insanidade, essa confidencialidade deixa de ser aplicada.

Acusado de múltiplos homicídios e tentativas de homicídio, Holmes foi o mentor de um dos ataques mais violentos dos últimos tempos nos Estados Unidos. A promotoria declarou que não se deixará influenciar pelas avaliações psiquiátricas e pedirá a pena de morte para o atirador. A promotoria acredita que o americano planejou o crime durante meses e montou até um pequeno arsenal em seu apartamento.