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Jordânia: candidatos tribais se impõem em eleição legislativa

Resultados preliminares apontam vitória da base de apoio ao governo do rei Abdullah II

Por Da Redação 24 jan 2013, 14h43

Os candidatos tradicionais tribais devem dominar a Câmara Baixa do Parlamento da Jordânia nos próximos quatro anos, segundo os resultados preliminares anunciados nesta quinta-feira pela Comissão Eleitoral Independente (CEI). O pleito legislativo realizado na quarta-feira foi boicotado pela oposição islamita, sob a alegação de que o sistema eleitoral foi manipulado a favor de áreas rurais tribais, onde estão forças conservadoras e pró-governo.

De fato, os resultados preliminares indicam que os candidatos de origem tribal, grande base de apoio ao governo, obtiveram boa parte dos assentos da Câmara Baixa. Cerca de 1.425 aspirantes, entre eles 191 mulheres, disputaram as 150 cadeiras da Câmara Baixa, os únicos assentos escolhidos por voto popular, já que o Senado é designando diretamente pelo rei Abdullah II.

O presidente da CEI, Abdelelah Khatib, explicou que os resultados completos não puderam ser anunciados devido ao atraso na chegada dos dados de algumas circunscrições. Khatib justificou este atraso por ser a primeira vez que uma comissão independente supervisiona o pleito, uma função antes realizada pelo Ministério do Interior, acusado pela oposição de fraudar as votações.

Denúncias – Khatib reconheceu que seu órgão recebeu várias denúncias de irregularidades durante a votação, mas negou que sejam violações graves que afetam ao processo eleitoral. Três candidatos que ganharam cadeiras – Ahmad Safadi, Mohammed Khashman e Adnan Abu Rukbeh, foram presos acusados de compra de votos.

Quanto às chapas nacionais, o Partido Corrente Nacional, do ex-presidente da Câmara Baixa Abdul Hadi Mayali, fracassou ao obter apenas duas cadeiras, superado pela Lista Islâmica Centrista, que conseguiu três. Além disso, deve haver 17 mulheres deputadas – 15 delas graças à parcela feminina estabelecida na lei eleitoral, e duas que ganharam em competição direta com os homens. Para alguns analistas, isso representa um marco.

A Jordânia, uma monarquia apoiada pelos EUA e que faz fronteira com Israel, tem enfrentado protestos contra o governo do rei Abdullah II, embora as manifestações não tenham tido a mesma escala daquelas que derrubaram os governantes do Egito e da Tunísia e que se transformaram em guerras civis na Líbia e Síria. Estas foram as primeiras eleições parlamentares do país desde as revoltas da Primavera Árabe.

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Participaram do pleito 56,5% dos 2,3 milhões de jordanianos registrados. As eleições parlamentares antecipadas fazem parte de um processo de reformas prometido pelo monarca após os protestos.

Reação – O abandono da votação pela Irmandade Muçulmana diminuiu as chances de os islâmicos realizarem uma mudança como a verificada no Egito, onde Mohamed Mursi, membro da Irmandade, chegou ao poder por meio das urnas para substituir o ditador Hosni Mubarak e acabou tornando-se um novo faraó. Mas o boicote também reduziu a eleição na Jordânia a uma disputa entre líderes tribais, figuras já estabelecidas e empresários.

O resultado eleitoral poderá causar ressentimento em grande parte da população urbana pobre, que se sente excluída, política e economicamente. “Não há propostas nas campanhas dos candidatos. Elas são conduzidas emocionalmente e baseadas mais nas relações pessoais do que em programas construtivos”, disse o xeque Talal al-Madi, ex-senador de uma região tribal, na quarta-feira.

Mais de dois terços dos sete milhões de habitantes da Jordânia vivem em cidades, mas são representados por menos de um terço das cadeiras na Assembleia. A eleição também ocorreu em meio a uma preocupante crise econômica, com políticas de austeridade guiadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). O governo foi forçado a adotar essas medidas para evitar uma crise fiscal depois de anos de gastos em um setor público inchado.

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(Com agência EFE)

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