Clique e assine a partir de 9,90/mês

Imperador Akihito abdica e deixa o trono do Japão para seu filho Naruhito

Abdicação é a primeira do país em dois séculos; herdeiro será o 126º a ocupar o trono nipônico

Por Da Redação - Atualizado em 30 Apr 2019, 16h52 - Publicado em 30 Apr 2019, 06h07

O imperador Akihito, do Japão, abdica oficialmente nesta terça-feira, 30, em cerimônia que começou às 17h01 (horário local, 5h01 de Brasília) em uma das salas do Palácio Imperial, no distrito de Chiyoda, em Tóquio, capital do Japão.

O primeiro-ministro Shinzo Abe, como representante do povo japonês, foi incumbido de relatar a abdicação e oferecer suas palavras de agradecimento a Akihito, que deixará formalmente de ser imperador à meia-noite.

O príncipe herdeiro Naruhito se tornará o 126º soberano do trono. A partir de 1º de maio, o Japão entra no ano 1 da nova era imperial “Reiwa” (“bela harmonia”), após três décadas da era Heisei (“realização da paz”).

Esta será a primeira vez em dois séculos que um imperador japonês cederá sua função ainda vivo, em virtude de uma lei de exceção escrita sob medida para Akihito.

Continua após a publicidade

Em meados de 2016, esse último manifestou seu desejo de deixar o cargo, o qual não conseguia mais “exercer de corpo e alma”, devido à sua idade avançada (hoje ele tem 85 anos) e a uma saúde em declínio.

A data da abdicação e o conjunto de disposições relativas a esse acontecimento foram decididos pelo governo, sem interferência da família imperial.

Peregrinações

A população japonesa se prepara para festividades históricas e quase inéditas. Desta vez, a nação não está em luto pelo falecimento de um soberano, como aconteceu nas sucessões anteriores – em 1989 (com a morte de Hirohito, também chamado de imperador Showa), em 1926 (com a morte do imperador Taisho), ou em 1912 (com a morte do imperador Meiji).

As principais cerimônias rigidamente protocolares e muito breves de 30 de abril e 1º de maio, realizadas no mais belo salão do Palácio Imperial, são transmitidas pelo canal público com uma solenidade incomum.

Continua após a publicidade

Muitos se reúnem do lado de fora do Palácio Imperial e nos templos xintoístas, uma quase religião que rege, em parte, os ritos imperiais.

A programação dos eventos ligados a essa mudança se estenderá ao longo de meses, com um ápice no outono, quando serão recebidos chefes de Estado e várias personalidades.

“Há várias etapas no cerimonial de sucessão que não são, de fato, especificadas em nenhuma lei”, explicou recentemente, em entrevista coletiva, o articulista e historiador Eiichi Miyashiro.

Nas últimas semanas, Akihito e sua esposa, Machiko, fizeram suas derradeiras viagens por um país que percorreram durante três décadas, em especial para reconfortar as vítimas das catástrofes naturais ocorridas em sua era.

Continua após a publicidade

Afeição e respeito

O casal imperial é muito respeitado, o que tem muito a ver com a relativa proximidade que ambos conseguiram estabelecer com a população. A imperatriz Michiko é alvo de uma “verdadeira adoração popular” e “o imperador soube conquistar afeição, por exemplo, ao apertar as mãos”, analisa Hideya Kawanishi, professor da Universidade de Nagoya.

Agora, como os recém-criados títulos de imperador e imperatriz eméritos, ambos cedem o Palácio Imperial a Naruhito e sua mulher, Masako, de 59 e 55 anos, respectivamente.

Naruhito deverá se tornar “símbolo do povo e da união da nação”, segundo a definição dada pela Constituição que entrou em vigor em 1947 e pela qual o imperador perdeu seu status de semidivindade.

Akihito trabalhou para dar consistência a esse papel, e Naruhito promete lhe dar continuidade. Nesse sentido, já manifestou que sua intenção é que os crimes cometidos pelo Japão durante a guerra não sejam silenciados para as gerações futuras. Também continuará a dar seu apoio às vítimas de desastres naturais.

Continua após a publicidade

Segundo os especialistas, contudo, ele precisará ir além para deixar sua marca. Sua preocupação de décadas com o problema da água no planeta, por exemplo, poderia ser um eixo de envolvimento no plano internacional.

(Com EFE e AFP)

Publicidade