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Japão atrasa desmonte de Fukushima em cinco anos

Sem funcionamento desde acidente, usina nuclear não foi totalmente desativada; companhia de energia responsável diz que enfrenta 'sucessão de problemas'

Por Da Redação - 27 Dec 2019, 16h41

O Japão anunciou nesta sexta-feira, 27, que vai adiar entre quatro e cinco anos o desmonte da usina nuclear de Fukushima, sem funcionamento desde o acidente que derreteu três de seus reatores em 2011. 

A retirada do combustível usado do tanque de armazenamento do reator número 1, inicialmente programada para 2023, foi adiada para 2027 ou 2028, assim como a do reator 2, que ficou para 2024. Cada uma dessas etapas deve durar dois anos.

As autoridades e a companhia Tokyo Electric Power (Tepco), que administra o desmantelamento, afirmaram terem se dado conta de que as tarefas são muito mais complicadas que o esperado.

“A retirada do combustível usado está em andamento no tanque do reator 3 e é uma sucessão de problemas”, disse um porta-voz da Tepco.

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O governo e a Tepco estimam que o desmantelamento completo da usina levará cerca de 40 anos. No entanto, muitos especialistas consideram que, dado o estado do local, é difícil estabelecer uma janela de tempo exata.

“O procedimento industrial aplicado é muito complexo e é difícil fazer previsões. O mais importante é a segurança dos trabalhadores”, disse o ministro da Indústria do Japão, Hiroshi Kajiyama, em entrevista coletiva nesta sexta-feira.

O tsunami de 11 de março de 2011 devastou as instalações, causou a fusão dos núcleos de metade dos reatores e deixou os sistemas de refrigeração fora de serviço. À época, estima-se que mais de 171.000 pessoas foram obrigadas a deixar o local às pressas e 1.600 morreram.

Hoje, um grande volume de água é usado para refrigerar os reatores desativados após o acidente. A água se torna radioativa e precisa ser armazenada. Em Fukushima foi criada uma “fazenda de tanques”, e atualmente há mais de 1 milhão de toneladas de água acumulada.

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O governo afirmou que o espaço de armazenamento vai acabar em 2022, e a água contaminada passará a ser despejada no oceano.

(Com AFP)

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