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Istambul tem outro dia de tensão por funeral de jovem morto

Adolescente ferido em protestos contra o governo ficou em coma por mais de 260 dias e virou símbolo da oposição ao governo de Recep Erdogan

Por Da Redação
12 mar 2014, 10h13

Dezenas de milhares de pessoas compareceram nesta quarta-feira em Istambul ao funeral de um jovem de 15 anos, que morreu na terça-feira depois de ter sido ferido pela polícia em um protesto contra o governo, em junho. Desde então, Berkin Elvan passou 269 dias internado em coma antes de falecer. “A polícia do AKP [Partido da Justiça e da Democracia, atualmente no poder] assassinou Berkin Elvan”, gritava a multidão no bairro de Okmeydani. Mais de 150 pessoas foram detidas na terça-feira à noite durante as violentas manifestações em várias cidades turcas para denunciar a morte do adolescente.

Milhares de manifestantes se reuniram de forma espontânea na terça-feira em várias cidades do país depois da morte. Um jornalista foi ferido ao ser atingido por um veículo policial em Adana, município ao Sul do país, e uma mulher foi hospitalizada após ser resgatada pelos transeuntes debaixo de um blindado policial em Istambul, afirma o jornal Hürriyet. Os enfrentamentos na capital entre a polícia e os manifestantes duraram até o início da madrugada desta quarta.

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Elvan estava em coma há mais de oito meses após ser gravemente ferido na cabeça por uma bomba de gás lacrimogêneo durante os protestos contra o governo em junho de 2013. Elvan é a vítima mais recente da repressão das manifestações iniciadas na praça Gezi de Istambul. A morte elevou a sete o número de manifestantes mortos durante os eventos que deixaram mais de 8.000 feridos. Um policial também morreu nos protestos.

A família de Elvan afirmou ter visto o adolescente pela última vez em 16 de junho, quando ele saiu do apartamento de um bairro operário no centro de Istambul para comprar pão. De acordo com testemunhas, o jovem foi atingido por uma bomba de gás lacrimogêneo utilizada pela polícia durante as manifestações contra a guinada autoritária e islamita do governo do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, no poder desde 2002.

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A imprensa turca dedica grande atenção à morte do adolescente, transformado em um símbolo para a oposição e um catalisador para protestos que retomam o espírito dos que sacudiram o país no ano passado. Também o presidente, Abdullah Gül, expressou suas condolências à família de Elvan e ressaltou a necessidade de “traçar uma linha vermelha” para “não dar oportunidade a uma dor semelhante no futuro”.

Analistas já haviam antecipado que o funeral do jovem em Istambul poderia virar uma grande mobilização contra o governo. Tudo isto acontece a menos de três semanas das eleições municipais de 30 de março, no momento em que o governo de Erdogan enfrenta um escândalo de corrupção sem precedentes.

(Com agências France-Presse e EFE)

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