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Israelenses protestam contra exclusão da mulher por ortodoxos

Por Da Redação 27 dez 2011, 16h11

Jerusalém, 27 dez (EFE).- Milhares de israelenses se manifestaram nesta terça-feira na cidade de Beit Shemesh, no sudoeste de Jerusalém, contra a exclusão de gênero, após várias mulheres terem sido discriminadas e agredidas em atos públicos e ônibus pela comunidade ultra-ortodoxa.

Convocada sob o lema de ‘Viemos dispersar a escuridão’, segundo a máxima da festa judaica do Hanukkah que será concluída nesta quarta-feira, milhares de mulheres e homens se concentraram para pedir justiça e que as autoridades façam cumprir a lei.

‘Há uma profunda mudança que não vimos, e que começa por colégios nos quais não se ensina o sionismo às crianças por gente que pensa que as mulheres não valem e acham que podem queimar mesquitas’, disse no ato a chefe da oposição e dirigente do partido Kadima, Tzipi Livni, ao denunciar recentes atos de discriminação sexual, étnica e religiosa.

No ato de protesto participaram mulheres de distintas formações políticas, entre elas a ministra de Cultura, Limor Livnat, do partido governante Likud, e a chefe do Partido Trabalhista, Sheli Yejimovich.

Pouco antes da convocação, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, se uniu às críticas e assegurou em discurso que ‘a exclusão da mulher dos espaços públicos contradiz o espírito do judaísmo e os princípios democráticos sobre os quais foi fundado o Estado de Israel’.

‘Pedi a todos os organismos que ponham fim a este fenômeno, e que levem perante a justiça todos os que difamam e atacam as mulheres’, acrescentou.

Beit Shemesh, com cerca de 80 mil habitantes, se transformou no símbolo da luta contra a discriminação porque sua crescente população ultra-ortodoxa impôs nos últimos anos normas de conduta que incluem a separação entre sexos em colégios, ruas e centros públicos.

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‘Não pode ser que dia após dia tenha que planejar o percurso que vou seguir pela rua para não encontrar com os ultra-ortodoxos’, disse Rajel Sanker, de 52 anos, uma das vizinhas da cidade que sofreu este tipo de agressões.

Sanker, assim como outras duas mulheres que foram vítimas de ataques por não se vestirem de forma modesta segundo as normas religiosas, participaram da manifestação nesta terça-feira, que foi convocada pelos grupos ‘Israel livre’ e ‘Jerusalém desperta’.

Também esteve presente a jovem Tania Rozenblit, que na semana passada se negou a trocar de lugar em um ônibus público porque vários ultra-ortodoxos lhe exigiam que sentasse na parte de trás.

As comunidades ultra-religiosas geralmente vivem afastadas do resto da sociedade e com regras de comportamento internas nas quais a mulher tem um papel subordinado ao do homem, como é o caso das mulheres que utilizam cerca de 40 linhas de ônibus segregados, onde os assentos da parte de trás são reservados a elas.

O caso mais recente de discriminação e assédio contra as mulheres em Beit Shemesh foi sofrido por uma menina de oito anos de idade e família religiosa, que foi cuspida por um ultra-ortodoxo por considerar que ela não estava vestida com o recato suficiente.

Horas antes da manifestação, o presidente do Estado de Israel, Shimon Peres, pediu a ‘religiosos, seculares e tradicionalistas que defendam a natureza do Estado de Israel frente a um pequeno grupo que compromete a solidariedade da nação’.

Mas o problema da segregação se expandiu nestes últimos anos a outras comunidades e instâncias públicas. No Exército, símbolo da igualdade na sociedade israelense, foram denunciados vários casos nos quais oficiais e soldados religiosos exigiram que soldados mulheres não cantassem em cerimônias públicas pela proibição de acordo com as normas judias mais estritas.

Denúncias semelhantes foram registradas contra várias Prefeituras, instituições e até empresas privadas que proibiram a participação de mulheres em atos públicos e em campanhas de publicidade para não irritar a comunidade ultra-ortodoxa. Esta comunidade saiu às ruas de Beit Shemesh na segunda-feira para protestar violentamente. EFE

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