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Israel retira colonos de Hebron, mas mantém colonização

O governo israelense retirou nesta quarta-feira os colonos instalados sem autorização em uma casa de Hebron, mas anunciou sua intenção de legalizar várias outras colônias na Cisjordânia ocupada.

Enquanto isso, o Ministério israelense da Habitação publicou o edital de licitação para a construção de 1.121 habitações, sendo 1.002 nos bairros colonizados de Jerusalém Oriental, 180 em colônias da Cisjordânia e 69 nas Colinas de Golã, também ocupadas.

“A polícia realizou a evacuação da casa em Hebron, de lá saíram 15 pessoas, mulheres, crianças e alguns homens. Ninguém ficou ferido na operação”, declarou o porta-voz da polícia israelense, Micky Rosenfeld.

Um fotógrafo da AFP presenciou a retirada das pessoas, que não resistiram à força policial, que veio em grande número para desalojá-las do segundo andar da casa, onde estavam instalados há seis dias.

“A evacuação foi ordenada pelo ministro da Defesa, Ehud Barak”, segundo um comunicado de seu ministério.

O Exército israelense estipulou um prazo aos colonos até terça-feira às 15h00 (09h00 de Brasília) para que deixassem o segundo andar desabitado da casa, da qual reivindicam sua propriedade, o que é contestado por parentes palestinos do proprietário, que moram no primeiro andar.

Barak “acrescentou que o pedido de aprovação de compra e, consequentemente, sua legalidade continuará a ser examinada”, segundo o comunicado.

Pouco antes, Benjamin Netanyahu havia anunciado sua intenção de legalizar três colônias na Cisjordânia ocupada, onde vivem cerca de mil pessoas.

“Quero apresentar muito em breve, com a recomendação do ministro da Defesa, Ehud Barak, as autorizações necessárias para regularizar a situação das implantações de Bruhin, Sansana e Rehalim”, declarou o primeiro-ministro israelense, citado em um comunicado de seu escritório.

Ele acrescentou, durante o Conselho de Ministros, que havia feito um pedido ao conselheiro jurídico do governo “para que encontrasse uma solução para o bairro Ulpana, a fim de evitar que ele seja destruído”, referindo-se a uma outra colônia próxima de Ramallah.

O secretário-geral do movimento israelense anticolonização “A Paz Agora”, Yariv Oppenheimer, vê “um presente para os colonos antes da Pessach (a Páscoa judaica celebrada a partir de sexta-feira, Ed)”.

“Netanyahu também procurou dar um prêmio de consolação para Migron”, disse Oppenheimer, em referência ao mais antigo posto avançado na Cisjordânia, cujo Supremo Tribunal ordenou sua destruição até o dia 1 de agosto.

Em contrapartida, o presidente palestino, Mahmud Abbas, exige o fim da colonização de Israel para que as negociações de paz sejam retomadas.

O primeiro-ministro israelense deve receber na próxima semana uma delegação composta pelo chefe de governo palestino, Salam Fayyad, e os negociadores Yasser Abed Rabbo e Saeb Erekat.

Aos olhos da comunidade internacional, todos os assentamentos são ilegais ou, pelo menos, não autorizados pelo governo israelense.

Mais de 340.000 colonos israelenses vivem na Cisjordânia e mais de 200.000 em bairros colonizados em Jerusalém Oriental, ocupada e anexada desde 1967.