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Israel reabre rampa de acesso para a Esplanada das Mesquitas

Por Da Redação - 14 dez 2011, 12h11

Jerusalém, 14 dez (EFE).- Israel reabriu nesta quarta-feira a rampa de acesso à Esplanada das Mesquitas, 48 horas após ter sido fechada pelas autoridades por considerarem que representaria um perigo para os usuários, essencialmente turistas.

A rampa, pela qual é possível chegar ao terceiro lugar mais sagrado para o Islã, a Mesquita de Al-Aqsa, foi construída em madeira há alguns anos, e de acordo com os engenheiros da Prefeitura, não é segura o suficiente.

A edição eletrônica do jornal ‘Yedioth Ahronoth’ informou que a reabertura foi ordenada pelo Governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, apesar da oposição do engenheiro da cidade.

‘O Governo de Israel demonstrou uma grande negligência na hora de resolver esta perigosa e instável (estrutura) no coração da Praça do Muro das Lamentações’, afirmou comunicado da Prefeitura que denuncia a atitude do Executivo.

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A rampa foi construída há alguns anos como solução temporária até a construção de um acesso permanente, depois que um terremoto rachou a rampa de pedra que havia anteriormente.

O movimento islamita Hamas, que governa na Faixa de Gaza, acusou Israel na segunda-feira de ter ido ‘longe demais’ e rotulou seu fechamento de ‘provocação aos sentimentos de milhões de muçulmanos’.

Na prática, a rampa é usada por turistas estrangeiros e israelenses e pelas forças de segurança em caso de distúrbios. Ao redor da Esplanada há uma dezena de acessos para os fiéis muçulmanos que continuam abertos.

O prefeito de Jerusalém, Nir Barkat, que defende destruir a rampa e construir uma permanente, ordenou o deslocamento de um veículo de bombeiros para qualquer eventualidade e criticou a decisão do Governo por apresentar um perigoso precedente.

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‘Com a atual gestão do Governo a ponte não será construída em um futuro próximo e a situação que havia na Praça do Muro das Lamentações se alterou’, disse o prefeito.

A direita nacionalista israelense teme que Netanyahu tenha sido pressionado pelas ameaças de distúrbios no mundo árabe e muçulmano, e que no futuro a soberania israelense nessa parte da cidade seja afetada em decisões similares.

A Esplanada das Mesquitas e o Muro das Lamentações estão em território que Israel ocupou em 1967, mas a sensibilidade ao redor da construção de uma nova rampa está mais relacionada com sua proximidade à Mesquita de Al-Aqsa.

O Waqf Islâmico, organismo encarregado de custodiar os bens do Islã na área, acusou Israel de pôr em perigo os alicerces do santuário.

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Para evitar problemas, há dois meses uma delegação oficial israelense viajou para Amã e alcançou com os representantes da Jordânia, e em consultas com a Unesco, um acordo detalhado para a instalação de uma ponte temporária.

Mas o rei jordaniano Abdullah II mudou de opinião no último momento, quando a maquinaria pesada já estava preparada para transportar uma nova ponte metálica até a região.

A nova decisão do Governo de Netanyahu, assessorada por especialistas do instituto tecnológico Technion, é aplicar na madeira um material especial resistente ao fogo e reforçar os alicerces. EFE

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