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Israel reabre rampa de acesso para a Esplanada das Mesquitas

Jerusalém, 14 dez (EFE).- Israel reabriu nesta quarta-feira a rampa de acesso à Esplanada das Mesquitas, 48 horas após ter sido fechada pelas autoridades por considerarem que representaria um perigo para os usuários, essencialmente turistas.

A rampa, pela qual é possível chegar ao terceiro lugar mais sagrado para o Islã, a Mesquita de Al-Aqsa, foi construída em madeira há alguns anos, e de acordo com os engenheiros da Prefeitura, não é segura o suficiente.

A edição eletrônica do jornal ‘Yedioth Ahronoth’ informou que a reabertura foi ordenada pelo Governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, apesar da oposição do engenheiro da cidade.

‘O Governo de Israel demonstrou uma grande negligência na hora de resolver esta perigosa e instável (estrutura) no coração da Praça do Muro das Lamentações’, afirmou comunicado da Prefeitura que denuncia a atitude do Executivo.

A rampa foi construída há alguns anos como solução temporária até a construção de um acesso permanente, depois que um terremoto rachou a rampa de pedra que havia anteriormente.

O movimento islamita Hamas, que governa na Faixa de Gaza, acusou Israel na segunda-feira de ter ido ‘longe demais’ e rotulou seu fechamento de ‘provocação aos sentimentos de milhões de muçulmanos’.

Na prática, a rampa é usada por turistas estrangeiros e israelenses e pelas forças de segurança em caso de distúrbios. Ao redor da Esplanada há uma dezena de acessos para os fiéis muçulmanos que continuam abertos.

O prefeito de Jerusalém, Nir Barkat, que defende destruir a rampa e construir uma permanente, ordenou o deslocamento de um veículo de bombeiros para qualquer eventualidade e criticou a decisão do Governo por apresentar um perigoso precedente.

‘Com a atual gestão do Governo a ponte não será construída em um futuro próximo e a situação que havia na Praça do Muro das Lamentações se alterou’, disse o prefeito.

A direita nacionalista israelense teme que Netanyahu tenha sido pressionado pelas ameaças de distúrbios no mundo árabe e muçulmano, e que no futuro a soberania israelense nessa parte da cidade seja afetada em decisões similares.

A Esplanada das Mesquitas e o Muro das Lamentações estão em território que Israel ocupou em 1967, mas a sensibilidade ao redor da construção de uma nova rampa está mais relacionada com sua proximidade à Mesquita de Al-Aqsa.

O Waqf Islâmico, organismo encarregado de custodiar os bens do Islã na área, acusou Israel de pôr em perigo os alicerces do santuário.

Para evitar problemas, há dois meses uma delegação oficial israelense viajou para Amã e alcançou com os representantes da Jordânia, e em consultas com a Unesco, um acordo detalhado para a instalação de uma ponte temporária.

Mas o rei jordaniano Abdullah II mudou de opinião no último momento, quando a maquinaria pesada já estava preparada para transportar uma nova ponte metálica até a região.

A nova decisão do Governo de Netanyahu, assessorada por especialistas do instituto tecnológico Technion, é aplicar na madeira um material especial resistente ao fogo e reforçar os alicerces. EFE