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Israel planeja construir mais 1.000 novas casas em colônias

Decisão foi tomada após candidatura de Palestina à ONU e integração à Unesco

Israel planeja construir mais de 1.000 novas casas em assentamentos judaicos da Cisjordânia e Jerusalém Oriental, segundo se depreende de uma licitação anunciada neste domingo pelo Ministério da Habitação e Construção israelense. As licitações para a construção desses edifícios em território palestino ocupado fazem parte de um pacote mais amplo de 6.000 novas casas em outros povoados dentro do solo reconhecido de Israel, segundo os planos do ministério. As obras são uma consequência “da candidatura palestina à ONU em setembro“, explicou um porta-voz do ministério.

Segundo o site do ministério, o governo israelense deve construir 348 imóveis no assentamento ultraortodoxo de Beitar Ilit, no distrito de Belém, na Cisjordânia. Além disso, outras 500 casas serão erguidas em Har Homa, ao sul de Jerusalém e em território ocupado do distrito de Belém, e 180 em Givat Zeev, ao noroeste de Jerusalém e próxima à cidade palestina de Ramala. “Alguns países não ficarão muito contentes com isso, mas não se surpreenderão”, afirmou neste domingo o titular de Habitação e Construção, Ariel Atias, do partido ortodoxo sefardita Shas, segundo divulgou o site Ynet. O ministro argumentou que a decisão foi tomada no mês passado depois que os palestinos foram aceitos na Unesco.

“A decisão correta foi aliviar a escassez de moradia destinada a casais jovens em Israel, com ênfase na capital, Jerusalém”, declarou Atias. Por sua vez, os palestinos condenaram o novo anúncio com firmeza e fizeram um apelo à comunidade internacional para que responsabilize Israel por suas ações. “Chamamos o Quarteto para o Oriente Médio (integrado por Estados Unidos, União Europeia, Rússia e ONU) a responsabilizar Israel por suas ações. Chegou o momento de romper o silêncio sobre estas violações que destroem o processo de paz e a solução de dois estados”, declarou o negociador palestino, Saeb Erekat.

A campanha palestina para obter o reconhecimento como membro pleno da ONU em setembro foi rejeitada por Israel, que considera que a única via para que se estabeleça um estado palestino deve ocorrer através das negociações diretas, estagnadas há mais de um ano. Após a entrada da Palestina como membro pleno da Unesco no final de outubro, o Executivo de Benjamin Netanyahu anunciou que intensificaria a construção de 2 mil casas na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, territórios ocupados por Israel em 1967. O país aprovou a construção de 4.000 novos imóveis em Jerusalém nos últimos 12 meses, o número mais elevado pelo menos desde 2006, segundo a ONG israelense Paz Agora.

(Com agência EFE)