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Israel anuncia construção de 2.500 casas na Cisjordânia

ANP considera os assentamentos como a "ameaça mais perigosa para a vida dos palestinos e aos seus meios de subsistência".

Por Da Redação - 24 Maio 2018, 13h04

O ministro israelense da Defesa, Avigdor Lieberman, anunciou nesta quinta-feira (24) que solicitará ao governo a aprovação de um plano para construir 2.500 casas em 30 colônias israelenses da Cisjordânia ocupada. Se aprovada, a decisão elevará o nível de tensão entre Israel e a Autoridade Nacional Palestina (ANP).

As autoridades palestinas consideram as ocupações israelenses na Cisjordânia como “agressões”. Lieberman prometeu ainda a pedir novas autorizações nos próximos meses para construir “milhares de residências adicionais” na região.

“As 2.500 novas residências que vamos autorizar durante o comitê de planejamento na próxima semana serão construídas imediatamente em 2018”, afirmou Lieberman, por meio de nota. “Nos comprometemos a aumentar as construções na Judeia Samaria e cumprimos nossas promessas”, completou, ao referir-se à Cisjordânia ocupada por seu nome bíblico.

Os assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada são ilegais, do ponto de vista do Direito Internacional, e muito criticados pelos palestinos.

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Na terça-feira (22), o ministro palestino das Relações Exteriores, Riyad al-Maliki, afirmou no Tribunal Penal Internacional que as colônias israelenses constituem a “ameaça mais perigosa para a vida dos palestinos e aos seus meios de subsistência”.

Como acontece toda vez que Israel anuncia novas construções em assentamentos, a liderança palestina denunciou nesta quinta-feira que as medidas israelenses são encorajadas pelo viés pró-israelense do governo dos Estados Unidos.

“A continuação da colonização, as declarações de apoio por parte das autoridades americanas e a incitação ao ódio proferidas por ministros israelenses marcaram o fim da solução de dois Estados e de qualquer papel dos Estados Unidos na região”, disse o porta-voz do presidente palestino, Nabil Abu Rudeina, citado pela agência de notícias palestina Wafa.

A decisão israelense surge em um momento de alta tensão na região. Em 14 de maio, 62 palestinos foram mortos pelo Exército israelense na Faixa de Gaza enquanto se manifestavam contra a nakba (catástrofe), como os árabes se referem ao dia de independência de Israel. Os palestinos demandavam o “direito de retorno” a suas terras.

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Paz

Ao contrário de seu antecessor, Barack Obama, que era crítico à expansão israelense na Cisjordânia, o atual presidente dos Estados Unidos tem multiplicado os gestos em favor de Israel desde sua posse. “A situação é muito complicada” e “Israel deve ser muito cauteloso com as colônias”, disse ele a um jornal israelense em fevereiro.

Favoráveis à colonização, Lieberman e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disseram que Israel continuará construindo casas nos territórios ocupados. “Manteremos a dinâmica do desenvolvimento dos assentamentos”, tuitou Netanyahu. “Em breve, aprovaremos novas casas”, acrescentou ele.

Desde 1967, os diferentes governos israelenses aprovaram os assentamentos nos territórios em que os palestinos desejam criar seu Estado. A iniciativa tornou inviável a soberania completa dos palestinos sobre a Cisjordânia e permanece como um tópico de difícil discussão para um processo de paz definitivo.

Na Cisjordânia ocupada e em Jerusalém Oriental, anexada por Israel, mais de 600.000 colonos israelenses convivem em situação de conflito com quase três milhões de palestinos.

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O governo israelense nega que as colônias dificultem a busca pela paz e culpa a falta de progresso no diálogo pelo fato de os palestinos rejeitarem a existência de um Estado judeu, quaisquer que sejam suas fronteiras.

As negociações de paz estão paradas desde 2014. Trump chegou ao poder disposto a selar um acordo diplomático “definitivo” entre israelenses e palestinos. Várias de suas decisões, porém, incluindo o reconhecimento de Jerusalém como a capital de Israel e a transferência da embaixada americana de Tel Aviv para a Cidade Santa, enfureceram a liderança palestina, que suspendeu seus contatos com as autoridades americanas.

 

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