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Irmandade Muçulmana toma Praça Tahrir em protesto contra poder dos militares

Por Da Redação - 19 jun 2012, 16h43

Belém Delgado e Mohammed Siali.

Cairo, 19 jun (EFE).- Os islamitas da Irmandade Muçulmana tomaram nesta terça-feira a Praça Tahrir em protesto contra o aumento do poder da Junta Militar diante das novas prerrogativas, enquanto os dois candidatos presidenciais insistem em se anunciarem como vitoriosos na eleição que ocorreu no último final de semana.

Em entrevista coletiva, Ahmed Sarhan, porta-voz do ex-primeiro-ministro Ahmed Shafiq, destacou que o militar aposentado venceu as eleições presidenciais com 51,5% do apoio dos eleitores, o que representa uma vantagem de meio milhão de votos sobre Mohammed Mursi, candidato da Irmandade Muçulmana.

Além disso, o representante de Shafiq, último chefe de Governo do regime de Hosni Mubarak, acusou o rival de ser evasivo sobre os dados anunciados que o colocam como vencedor da eleição. Para Sarhan, os números divulgados pela Irmandade Muçulmana, na mesma noite em que foi iniciada a apuração, provocaram ‘um tsunami’ nos meios de comunicação.

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A campanha de Shafiq ainda acrescentou que seu candidato conseguiu 13 milhões de votos, mas destacou que esperará até a próxima quinta-feira, data em que serão divulgados os resultados oficiais pela Comissão Eleitoral, para celebrar em público.

Enquanto isso, seguidores de Mursi insistiam que o candidato da Irmandade Muçulmana é o ganhador do pleito, com 52% dos votos, segundo dados supostamente divulgados para eles pela Comissão Eleitoral.

As equipes dos dois candidatos apresentaram diversas queixas de irregularidades. Dessa forma, estão esperando até amanhã, quando o órgão eleitoral deve se pronunciar a respeito.

Em meio a essa polêmica, vários grupos, entre eles a Irmandade Muçulmana, protagonizaram hoje um protesto na Praça de Tahrir, em Cairo, contra a recente dissolução do Parlamento e as últimas emendas constitucionais anunciadas pela Junta Militar.

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Um dos manifestantes, o professor Ahmed Al Sayid, garantiu à Agência Efe que foi protestar contra as emendas, pois elas tira a autoridade do futuro presidente.

Em referência à dissolução da câmara baixa do Parlamento, formalizada pela Junta Militar na semana passada, após uma decisão do Tribunal Constitucional, Sayid questionou a a decião da cúpula militar, que dirige o país de maneira provisória, de ‘invalidar uma instância escolhida pelo povo’.

Milhares de manifestantes repetiram palavras de ordem contra a autoridade militar e a favor da transferência imediata do poder ao próximo presidente eleito, ao mesmo tempo em que erguiam retratos de Mursi.

A Irmandade Muçulmana se opõe à recente decisão da Junta Militar de blindar suas prerrogativas de maneira unilateral através de uma série de emendas à Declaração Constitucional provisória e vigente desde março de 2011.

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Com essas remodelações, o Conselho Supremo das Forças Armadas (CSFA) conserva a autonomia nos assuntos militares e retoma o poder legislativo após a dissolução do Parlamento, até a eleição de um novo. A atitude levantou uma forte polêmica no Egito, imerso em processo democrático desde a queda do presidente Hosni Mubarak em fevereiro de 2011.

Nesta terça-feira, o ex-presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, cujo centro supervisionou as eleições presidenciais, expressou sua preocupação pelas últimas decisões da Junta Militar. Para Carter, essas notícias refletem o ‘giro antidemocrático na transição do Egito’. EFE

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