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Irmandade Muçulmana proclama vitória nas presidenciais

Segundo a facção islamita, o candidato Mohamed Mursi obteve 52,5% dos votos

A Irmandade Muçulmana declarou na madrugada desta segunda-feira que venceu as primeiras eleições presidenciais do Egito após a queda do ditador Hosni Mubarak. Mohamed Mursi, o candidato do Partido Liberdade e Justiça (PLJ) – braço político da Irmandade – se proclamou o vencedor da disputa com o ex-primeiro-ministro Ahmed Shafiq. Segundo a facção islamita, ele recebeu 52,5% dos votos, contra 47,5% do rival.

Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, egípcios iniciaram, em janeiro, sua série de protestos exigindo a saída do então presidente Hosni Mubarak.
  2. • Durante as manifestações, mais de 800 rebeldes morreram em choques com as forças de segurança de Mubarak que foi condenado por premeditar essas mortes.
  3. • Após 18 dias de levante popular, em 11 de fevereiro, o ditador cedeu à pressão e renunciou ao cargo, deixando o Cairo; em seu lugar assumiu a Junta Militar, que segue no poder até o fim das eleições.

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Os percentuais são baseados na contagem do próprio partido da Irmandade. A apuração só termina nesta segunda-feira e o resultado oficial só deve ser anunciado na terça. Apesar disso, Mursi deu uma entrevista coletiva na sede do PLJ no Cairo, na qual prometeu ser presidente de “todos os egípcios” e que não buscará “vingança” contra seus adversários.

“Agradeço a todos que votaram em mim, mas também aos que não votaram. Agradeço a Deus por guiar o povo egípcio no caminho certo, o caminho da liberdade e da democracia”, declarou Mursi. “Serei o irmão e o servidor de todos os egípcios”, prometeu.

Correligionários de Shafiq, porém, não reconheceram o triunfo da Irmandade Muçulmana. “Rechaçamos totalmente essas declarações”, disse o coordenador da campanha do ex-primeiro-ministro, Mahmoud Barakeh.

Indefinição – Mesmo se for confirmada, é pouco provável que a vitória de Mursi represente o início de um período de tranquilidade no conflagrado cenário político egípcio. As eleições presidenciais deste domingo aconteceram sem a existência de uma Constituição que estipule os poderes do futuro líder.

A Câmara Baixa do Parlamento eleito no início do ano, de maioria islamita, seria a respónsável pela formação da Assembleia Constituinte mas foi dissolvida pela Junta Militar que governa o país – medida que foi chamada de “golpe de estado” pela Irmandade Muçulmana.

Logo após o encerramento da votação neste domingo, os militares emitiram um anexo à Declaração Constitucional transitória, documento que vai definir as prerrogativas do novo presidente. A televisão estatal assinalou que nesta segunda a cúpula militar oferecerá novos detalhes em entrevista coletiva, mas já antecipou que não serão realizadas novas eleições legislativas até que o país tenha uma nova Constituição.

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Em um cenário caótico, o segundo turno das eleições só foi confirmado na última quinta-feira, logo após o Tribunal Constitucional egípcio anular a Câmara Baixa do Parlamento e declarar inconstitucional a Lei de Isolamento Político, que impediria Shafiq, além de outros ex-membros de regime de Hosni Mubarak, de se candidatar à Presidência.

(Com agências EFE e France-Presse)