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Iraniana desfigurada por ácido livra agressor de retaliação

Segundo lei islâmica em vigor no Irã, agressor perderia a visão como castigo

Por Da Redação - 31 jul 2011, 12h31

Uma jovem iraniana que ficou cega e teve o rosto desfigurado ao ser atacada por um homem em 2004 perdoou seu agressor e solicitou que não fosse aplicada a chamada Lei de Talião, que faria com que ele perdesse a visão como castigo. O homem jogou ácido em Ameneh Bahrami após ela ter recusado seu pedido de casamento.

“Ameneh Bahrami, vítima de um ataque com ácido, perdoou no último momento seu agressor, Majid Movahedi, e renunciou ao direito de reclamar a Lei de Talião, que devia ser aplicada hoje (domingo)”, indicou o site de uma televisão iraniana. O promotor de Teerã, Jafar Dolatabadi, confirmou à agência Isna que Ameneh desistiu de reclamar a cegueira de seu agressor, mas a jovem exigiu uma indenização baseada no princípio do “dinheiro de sangue”.

Com sua decisão, Ameneh, que atualmente reside na Espanha, evitou que fosse executada pela primeira vez no Irã uma pena desse tipo. Muitas associações de direitos humanos, como a Anistia Internacional, também tentaram evitar a punição, alegando ser “um castigo cruel e desumano, equivalente a um ato de tortura”. Segundo Ameneh, as autoridades iranianas também a pressionaram para que ela renunciasse ao direito de reclamar a aplicação da pena.

Majid Movahedi foi condenado em 2008 a perder a visão com ácido por haver desfigurado e cegado Ameneh em 2004, porque a estudante, que frequentava a mesma universidade que ele, havia rejeitado seus pedidos de casamento. A sentença dada pelo Supremo Tribunal segue a Lei de Talião, ou lei da retaliação, prevista pela lei islâmica e em vigor no Irã.

Pena – A pena deveria ter sido aplicada em 14 de maio, mas as autoridades decidiram adiá-la para este domingo, sem dar explicações. A iraniana, que vive em Barcelona e recebe uma pensão vitalícia por invalidez dada pelo governo espanhol, havia afirmado em várias oportunidades que queria que a sentença fosse aplicada.

“Eu sofri bastante nos últimos anos, só agora, depois de muito tempo, me sinto realmente feliz”, declarou Bahrami em uma entrevista publicada em maio pelo jornal Haft-e Sobh. “Eu gostaria de aplicar a pena eu mesma, mas sei que não posso e que um médico fará”, acrescentou a jovem, que viajara em maio para o Irã para assistir à aplicação do castigo.

Ela explicou ainda que queria que a pena da retaliação fosse aplicada “não para que o agressor passasse pelos mesmos sofrimentos que ela, mas sim porque isso poderia dissuadir aqueles que poderiam pensar em cometer crime semelhante”.

(Com agência France-Presse)

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