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Irã se anima e fala em novo ‘Oriente Médio islâmico’

Ministro elogia protestos egípcios. Só não cita repressão no seu país

Por Da Redação 1 fev 2011, 09h04

Posando de representante de um país alinhado com reformas democráticas, ministro afirmou que o Irã vai propor ajuda aos manifestantes: ‘Marchamos ao lado daqueles que buscam liberdade’

A perspectiva de queda do governo de Hosni Mubarak no Egito animou o regime autoritário do Irã. De acordo com o chanceler do país, Ali Akbar Salehi, a revolta popular egípcia pode ajudar a criar um mundo árabe governado por regimes religiosos, afastando-se do secularismo. “Pelo que sei a respeito do grande povo revolucionário do Egito, que está fazendo história, tenho certeza de que ele vai desempenhar um papel na criação de um Oriente Médio islâmico”, disse Salehi.

Apesar da fortíssima repressão exercida contra os cidadãos de países governados por regimes muçulmanos, o chanceler iraniano usou termos como “justiça”, “liberdade” e “independência” ao falar sobre a perspectiva de um Egito governado por um governo islâmico. Ainda de acordo com o iraniano, a onda de manifestações no Egito “demonstra a necessidade de mudança na região e do fim dos regimes impopulares”.

Ele só não citou a onda de protestos contra seu próprio governo, em 2009 – quando só a violência das forças de segurança conseguiu conter a fúria dos manifestantes. Posando de representante de um país alinhado com reformas democráticas, Salehi afirmou que o Irã vai propor ajuda aos manifestantes. “Marchamos ao lado daqueles que buscam liberdade no mundo e apoiamos a sublevação da grande nação do Egito”, insistiu o ministro do governo de Mahmoud Ahmadinejad.

Dois anos atrás, o Irã também foi palco de massivos protestos contra o governo depois da polêmica reeleição do presidente Mahmud Ahmadinejad. A repressão matou dezenas de pessoas, e milhares foram detidas. Uma das vítimas se tornou símbolo da truculência dos regimes autoritários: a jovem Neda, assassinada com um tiro na cabeça diante das câmeras num protesto. As relações entre Teerã e o Cairo são tensas desde a revolução islâmica no Irã, em 1979.

(Com agência France-Presse)

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