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Irã admite ter mais capacidade de enriquecer urânio do que em 2015

Chefe da agência iraniana de energia atômica diz que seu país "não está blefando" e adverte os EUA a continuarem no acordo

O Irã tem hoje capacidade técnica para enriquecer urânio em um nível mais alto do que antes de assinar o acordo internacional para conter seu programa nuclear, em 2015, afirmou o chefe da agência de energia atômica do Irã, Ali Akbar Salehi, à televisão estatal do país.

A declaração de Salehi surge no momento em que o primeiro-ministro de Israel, Benyamin Netanyahu, alega ter reunido 110 mil arquivos com provas de que o Irã não abandonou seu programa nuclear militar, em descumprimento aos termos do  acordo de 2015. Além dos Estados Unidos, são signatários a Grã-Bretanha, França, Alemanha, China e Rússia.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaça retirar seus país do acordo e adotar sanções econômicas a partir de 12 de maio se “as terríveis falhas” do acerto não forem corrigidas.

Salehi alertou Trump a não tomar esse caminho. “O Irã não está blefando … Tecnicamente, estamos totalmente preparados para enriquecer urânio acima do que costumávamos produzir antes do acordo… Espero que Trump caia em si e continue no acordo”.

O acordo autoriza o Irã a enriquecer de urânio em 3,6%. Desde sua assinatura, o país teria parado de  produzir urânio enriquecido a 20% e abandonado a maior parte do seu estoque.

O urânio a 20% está bem acima dos 5% normalmente necessários para abastecer usinas nucleares civis, como as plantas para fabricação de medicamentos e equipamentos médicos. Para a construção de uma bomba nuclear, porém, o enriquecimento tem de alcançar de 80 a 90%.

Teerã já descartou qualquer possibilidade de negociar o programa de mísseis balísticos do país, suas atividades nucleares após 2025 e seu papel internacional no Oriente Médio, como exige Trump.

Grã-Bretanha, França e Alemanha apoiam o acordo, que afirmam ser a melhor maneira de impedir que Teerã consiga armas nucleares, mas pediram ao Irã que limite sua influência regional e reduza o programa de mísseis.

(Com Reuters)