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Índia e Paquistão querem iniciar novo capítulo na relação

Líderes dos países buscam retomar o diálogo e diminuir a tensão histórica

Por Da Redação 10 nov 2011, 04h42

Os primeiros-ministros da Índia, Manmohan Singh, e do Paquistão, Yousuf Raza Gillani, se reuniram nesta quinta-feira nas ilhas Maldivas para tentar normalizar a sempre complicada relação entre as duas potências nucleares do sul da Ásia.

“Perdemos muito tempo em debates ásperos no passado. Chegou o momento de escrever um novo capítulo em nossas relações”, disse Singh. “Revisamos o diálogo com a expectativa que todos os assuntos que infestaram de problemas as relações possam ser discutidos com toda a sinceridade que ambas partes possam trazer à mesa”, acrescentou o primeiro-ministro da Índia.

Os líderes se reuniram durante uma hora em um intervalo da 17ª cúpula da Associação para a Cooperação no Sul da Ásia (Saarc), que está sendo realizada no pequeno arquipélago do Oceano Índico.

Em uma casa de praia de um luxuoso hotel, os dois primeiros-ministros discutiram de ‘forma aberta’ todos os assuntos de sua complexa agenda bilateral, como a distribuição de água, o terrorismo e os litígios territoriais de Sir Creek e Siachén.

“A reunião foi boa. Espero que a próxima rodada de consultas seja mais construtiva e abra um novo capítulo nas relações entre ambos países”, comentou o chefe do governo paquistanês. Imagens transmitidas pelos canais de televisão da região mostraram os líderes sorridentes e dando as mãos diante de fotógrafos e jornalistas.

Singh e Guilani estiveram acompanhados por seus ministros de Relações Exteriores, S. M. Krishna e Rabbani Khar, além do conselheiro indiano de segurança, Shivshankar Menon, e do ministro do Interior paquistanês, Rehman Malik, entre outros.

Esta foi a segunda reunião do ano, após outro encontro que mantiveram durante a semifinal do Mundial de críquete disputada pelas seleções dos dois países na cidade indiana de Mohali em março.

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A Índia reivindica ao Paquistão uma ação mais decidida contra os grupos terroristas que operam em seu território e realizam atentados como o de 2008 em Mumbai, que deixou 166 mortos e estremeceu as relações entre os dois países.

O diálogo ficou congelado e a Índia só tentou retomá-lo no último mês de fevereiro, após mais de dois anos de desencontros e subidas de tom de alguns dos mais importantes políticos de ambos lados da fronteira.

Hoje, Singh voltou a insistir que o Paquistão deve levar aos tribunais os autores do ataque, mas ao mesmo tempo apostou em deixar para trás a ‘era de acusações’, segundo revelou seu secretário de Relações Exteriores, Ranjan Mithai.

Mithai disse à imprensa que os dois primeiros-ministros concordaram que é preciso pôr em prática o mais rápido possível um regime de vistos liberalizado para fomentar os intercâmbios bilaterais.

Como gesto de boa vontade, o Paquistão decidiu recentemente outorgar à Índia o status de ‘nação mais favorecida’.

Desde a independência e partilha do subcontinente, em 1947, a Índia e o Paquistão passaram por várias guerras e mantém conflitos de menor intensidade, principalmente pela região da Caxemira, cujo território segue dividido na atualidade.

(com Agência EFE)

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