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Igreja é condenada a indenizar vítimas de abuso de ex-padre chileno

Carta que revela acobertamento dos crimes cometidos por Fernando Karadima por cardeal foi descoberta

A Justiça do Chile ordenou que a Igreja Católica do país pague uma indenização de cerca de 450 milhões de pesos chilenos (2,4 milhões de reais) às vítimas de abuso sexual cometidos pelo ex-padre Fernando Karadima.

O Tribunal de Apelações de Santiago revogou uma decisão anterior e decidiu se posicionar a favor de Juan Carlos Cruz, José Andrés Murillo e James Hamilton, que processaram a Igreja por sua negligência e por ter encoberto alegações de abuso sexual contra Karadima, expulso da vida sacerdotal pelo papa Francisco em setembro passado.

Os três homens acusaram os cardeais Francisco Javier Errázuriz e Ricardo Ezzati de acobertar os crimes de Karadima, que foi um influente religioso na capital do país e por décadas abusou sexualmente de crianças e adolescentes.

De acordo com o jornal chileno La Tercera, a decisão foi pautada pela descoberta de uma carta de 2009 do cardeal Errázuriz ao núncio Giuseppe Pinto, na qual ele dizia que após receber as denúncias contra Karadima tinha resolvido não interrogar o pároco para não causar aborrecimentos.

“Estamos muito felizes, tem sido um longo caminho (…) esta decisão deve marcar o fim da impunidade em matéria de abuso sexual clerical”, disseram as vítimas em um comunicado.

A Igreja chilena reagiu com uma breve nota, em que manifestou que “agregou-se um antecedente novo para a causa, do qual não tínhamos conhecimento. Analisaremos esta situação juntamente com a sentença, para decidirmos os passos que iremos seguir”.

Conforme documentos publicados pela Procuradoria Nacional do Chile no final de agosto, atualmente existem 119 investigações em andamento contra 167 pessoas ligadas à Igreja. Ao todo, são 178 vítimas de abuso sexual, entre elas 79 eram menores de idade quando os casos ocorreram.

Até agora, o papa Francisco aceitou a renúncia de sete bispos chilenos, expulsou do sacerdócio dois outros bispos eméritos e os sacerdotes Karadima e Cristian Precht. Este último foi um reconhecido defensor dos direitos humanos durante a ditadura de Augusto Pinochet.

(Com AFP e EFE)