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Human Rights Watch afirma haver provas de ataques com cloro

ONG cobra ação do Conselho de Segurança e do Tribunal Penal Internacional

(Atualizado às 21h20)

O Exército sírio bombardeou em abril três cidades com barris de cloro, informou nesta terça-feira a organização Human Rights Watch (HRW), que alega ter provas sólidas dos ataques. “As provas sugerem fortemente que os helicópteros do governo sírio lançaram barris de cloro contra cidades do norte da síria em meados de abril”, comunica a HRW, uma ONG com sede em Nova York. Também nesta terça-feira, o ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, afirmou que a Síria utilizou armas químicas em “pelo menos em 14 incidentes” contra civis desde outubro de 2013.

Fontes da oposição acusaram o regime de ter executado vários ataques com cloro, enquanto a televisão estatal síria atribuiu um ataque deste tipo aos jihadistas da Frente Al-Nusra. Os médicos que trataram as vítimas indicaram que pelo menos onze pessoas morreram nos ataques e que quase 500 apresentavam “sintomas correspondentes a uma exposição ao cloro”, afirma o comunicado da HRW. Se inalado, o gás clorídrico se transforma em ácido hidroclorídrico nos pulmões, o que provoca queimaduras internas e a formação de água nos órgãos, podendo levar ao afogamento. Nas filmagens, as pessoas atingidas pelas bombas aparecem com dificuldades de respirar enquanto recebem tratamento. Em uma foto, o corpo de um menino aparece com sangue ao redor da boca.

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“O uso aparente de cloro como arma – sem falar do fato que aponta para civis – é uma flagrante violação da lei internacional”, afirmou Nadim Houry, subdiretor de HRW para o Oriente Médio e a África do Norte. “É uma razão a mais para que o Conselho de Segurança da ONU leve o caso da Síria ao Tribunal Penal Internacional”, completou Houry. Em abril, a Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ) anunciou que investigaria as acusações de ataques com cloro na Síria.

França – O ministro Fabius também apontou o uso de cloro na guerra. “Recentemente registramos pelo menos 14 incidentes nos quais foram utilizados armas químicas, especialmente cloro”, declarou Fabius em uma conferência na Brookings Institution, um centro de estudos de Washington.

O ministro detalhou que 92% das armas químicas em poder do regime de Bashar al Assad foi destruído, mas que 8% seguem operacionais e que as instalações de produção deste tipo de armas também se mantêm.

Além disso, Fabius afirmou que o governo da França lamentou o fato de que os EUA tenham decidido não atacar as instalações de produção e armazenamento de armas químicas na Síria.

“Lamentamos porque acreditamos que teria mudado uma grande quantidade de coisas. Mas o que está feito, está feito, e não vamos reescrever a história”, declarou posteriormente em entrevista coletiva na embaixada francesa.

(Com agência EFE)