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Guerra civil na Síria já matou mais de 150.000, diz ONG

Estimativa é do Observatório Sírio de Direitos Humanos. Conflito já tem 3 anos

A guerra civil na Síria, que se arrasta há três anos, já deixou mais de 150.000 mortos, segundo contagem do Observatório Sírio de Direitos Humanos, uma organização baseada em Londres que se opõe ao regime do ditador Bashar Assad. De acordo com os dados da ONG, entre os mortos há mais de 51.000 civis, incluindo 8.000 menores de idade e mais de 5.000 mulheres.

Entre os rebeldes foram quase 38.000 mortes, número que inclui integrantes de facções ligadas à Al Qaeda que contam com vários membros de nacionalidade estrangeira. Entre as forças leais ao regime foram 58.000 mortes, incluindo milicianos pró-regime e membros do Hezbollah. Quase 3.000 vítimas não puderam ser identificadas. Segundo o Observatório, outras 18.000 pessoas estão desaparecidas depois de terem sido detidas pelas forças de segurança e 8.000 foram sequestradas por grupos rebeldes.

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O Observatório, dirigido pelo ativista sírio Rami Abderrahman, divulga regularmente números sobre a guerra civil com base em informações obtidas a partir de fontes na Síria, como membros dos serviços de emergência, de segurança e ativistas. Para a ONG, o número real de mortos pode ser ainda maior, superando 200.000.

Em janeiro, a ONU anunciou que deixaria de divulgar o número de vítimas pela impossibilidade de comprovar os números. Desde então, o observatório tem sido uma das poucas fontes de referência para medir a escala da violência da guerra civil. Os últimos dados da ONU são de julho do ano passado e apontam mais de 100.000 vítimas.

Comparação – As dificuldades em obter números exatos sobre as vítimas do conflito sírio dificultam a comparação com as guerras do Iraque ou Afeganistão. Mesmo assim, o número de mortos em território sírio pode já ser superior ao do Iraque, onde foram registradas 162.000 vítimas desde a invasão das tropas americanas em 2003 até sua retirada em dezembro de 2011, segundo a organização Iraq Body Count. No Afeganistão, não há uma estimativa total desde o começo do conflito em 2001, já que diferentes grupos oferecem dados anuais, embora nem sempre desde o início da guerra. O último relatório da missão da ONU no Afeganistão (Unama), por exemplo, documenta as mortes decorrentes do conflito no país a partir 2007, apontando pelo menos 17.500 vítimas entre os civis.

Guerra – Três anos após o início da guerra civil da Síria, não há indicações de que o conflito esteja próximo do fim. Os esforços para promover um diálogo entre representantes do regime e da oposição não apresentaram avanços até agora. E o mediador da ONU para a Síria disse que as conversas não devem ser retomadas logo.

O regime de Bashar Assad segue controlando a capital Damasco e recentemente conseguiu expulsar os rebeldes da estratégica região de Qalamoun, cortando parte das provisões que eles recebiam a partir do Líbano. Atualmente, as principais batalhas ocorrem em Latakia, reduto tradicional do regime, contra o qual os rebeldes lançaram uma ofensiva há duas semanas, na sequência da derrota em Qalamoun.

(Com agências Reuters e EFE)