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Grupo heterogêneo de candidatos marca eleição presidencial na Irlanda

Os irlandeses elegem na quinta-feira seu presidente, um cargo honorífico ao qual aspira um heterogêneo grupo de sete candidatos, entre eles um empresário conhecido na televisão, um ex-deputado trabalhista poeta e o ex-líder do IRA Martin McGuinness.

A campanha esquentou nos últimos dias quando o empresário e figura televisiva Sean Gallagher, favorito nas pesquisas, denunciou uma tentativa de “assassinato político” por parte de McGuinness, de 61 anos.

O ex-líder do Exército Republicano Irlandês (IRA), que se tornou vice-premiê do governo autônomo criado pelos Acordos de Paz na Irlanda do Norte, se apresenta como candidato do Sinn Féin às presidenciais da República da Irlanda, da qual muitos católicos norte-irlandeses têm o passaporte.

McGuinness acusou Gallagher, que se apresenta como independente, de ter recebido 5.000 euros (6.900 dólares) de um empresário condenado por contrabando para financiar o Fianna Fail, o partido derrotado nas eleições gerais irlandesas de março passado.

Sean Gallagher, de 49 anos, conhecido sobretudo na Irlanda por sua participação em um programa de reality show para jovens empresários, desmentiu ter reebido esse dinheiro e denunciou os métodos de seu rival.

Clamando sua “honestidade e sua integridade”, afirmou à rádio irlandesa RTE que não se deixaria “distrair por manobras como um assassinato político por parte de Martin McGuinness ou de qualquer um no Sinn Féin”.

A última pesquisa, publicada na segunda-feira, dava a Cameron 40% de intenção de votos, à frente do ex-ministro trabalhista Michael D. Higgins, com 25%, e de McGuinness, com 15%. Atrás ficavam o senador David Norris (8%), abertamente homossexual, e Gay Mitchell (6%), um eurodeputado que representa o Fine Gael no poder.

Os outros dois candidatos independentes, Mary Davis e uma ex-vencedora do popular concurso europeu da canção da Eurovision, Dana Rosemary Scallon, encerraram a lista com 3% cada uma.

Mais de 3,1 milhões de eleitores são chamados a eleger o sucessor da atual presidente Mary McAleese, que termina seu segundo mandato de sete anos. O cargo é antes de tudo simbólico: o presidente representa a Irlanda, realiza visitas ao exterior e recebe os chefes de Estado.

Michael D. Higgins, de 70 anos, que poderá ser o mais favorecido pelas dificuldades de Gallagher, instou este último a responder as acusações.

“Se surgem perguntas tão fundamentais ligadas à transparência, devem obter respostas capazes de acalmar a preocupação dos eleitores”, afirmou durante o ato de campanha em uma escola de Carlow (centro).

Segundo o sistema em vigor na Irlanda, os eleitores ordenam os candidatos por ordem de preferência e seus votos são transferidos posteriormente àquele que obtiver a maioria absoluta. A contagem começará na sexta-feira e os resultados oficiais serão divulgados no sábado.