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Grandes potências aceitam voltar a negociar com Irã sobre programa nuclear

Bruxelas, 6 mar (EFE).- As grandes potências ocidentais, a Rússia e a China anunciaram nesta terça-feira que voltarão a negociar com o Irã sobre seu controvertido programa nuclear após mais de um ano de bloqueio, período no qual a tensão não fez mais que crescer e no qual aumentaram também as especulações sobre um conflito militar.

‘Em nome de China, França, Alemanha, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos ofereci a retomada das negociações com o Irã sobre a questão nuclear’, informou em comunicado a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, que representa perante Teerã o chamado Grupo 5+1.

Ashton respondeu hoje à carta enviada no dia 14 de fevereiro pelo chefe negociador iraniano, Saeed Jalili, na qual seu país se mostrava disposto a retomar o diálogo, como ela mesma havia proposto meses antes.

O último encontro oficial entre Irã e o 5+1, realizado em janeiro de 2011 em Istambul, terminou em clima de fracasso total, pois os representantes iranianos nem sequer aceitaram falar sobre seu discutido projeto atômico.

‘Esperamos que o Irã entre agora em processo contínuo de diálogo construtivo que ofereça progressos reais na resolução das preocupações da comunidade internacional sobre seu programa nuclear’, comentou Ashton.

Em sua carta, a alta representante da União Europeia (UE) transmite às autoridades iranianas sua intenção de desenvolver uma negociação ‘passo a passo’ que permita às duas partes recuperar a confiança mútua e conseguir avanços concretos que possam desembocar em um acordo completo.

O objetivo, segundo Ashton, continua sendo uma ‘solução negociada em longo prazo que devolva a confiança internacional sobre a natureza exclusivamente pacífica do programa nuclear iraniano’.

Apesar dos precedentes negativos, a UE considera que nesta ocasião há maiores possibilidades de sucesso por conta de três novas circunstâncias, segundo afirmou hoje uma fonte comunitária.

Um desses elementos positivos é que em sua carta do último mês de fevereiro Teerã ofereceu pela primeira vez ‘um claro compromisso por escrito’ sobre sua vontade de tratar o expediente nuclear.

Outro ponto é a postura de grande unidade demonstrada até agora pelo 5+1, que reúne os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha.

E um terceiro elemento-chave é a pressão criada pelas sanções sem precedentes impulsionadas nos últimos meses pelos 27 países da UE, especialmente o embargo petrolífero, que entrará em vigor em julho, destinado a golpear economicamente o regime islâmico.

‘Não queremos ter discussões apenas para tê-las. (…) Queremos resultados concretos. São negociações muito importantes e não queremos que fracassem’, assegurou a fonte.

Com o objetivo de prepará-las, os serviços de Ashton ofereceram às autoridades iranianas um primeiro encontro prévio nos próximos dias.

Bruxelas, no entanto, não espera que a rodada de negociação oficial aconteça antes do final de março, quando se celebra o ano novo iraniano.

O local da reunião ainda não foi definido e sobre a mesa estarão cidades que receberam rodadas anteriores, como Genebra, Viena e, especialmente, Istambul.

O anúncio da volta às negociações chega em um momento de máxima tensão sobre o programa nuclear iraniano, que há anos é visto por grande parte da comunidade internacional como uma tentativa por parte do regime dos aiatolás de construir uma bomba atômica.

Israel, por exemplo, já insinuou sua intenção de atacar os alvos nucleares no Irã e argumenta que a ameaça é grave demais para esperar mais tempo.

Enquanto isso, a Europa insiste que a solução só pode ser diplomática e os EUA, no meio do caminho, defenderam que um ataque agora seria contraproducente e perigoso, mas também deixaram claro que entendem as autoridades israelenses e que apoiarão suas ações.

Esta questão dominou a reunião de ontem na Casa Branca entre o presidente americano, Barack Obama, e o primeiro- ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Obama reafirmou ‘a política americana de impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear’ e ressaltou que seu país ‘sempre protegerá Israel’, segundo indicou a Casa Branca após esse encontro. EFE