Clique e assine a partir de 8,90/mês

Grã-Bretanha mantém vivo legado econômico de Thatcher

Baronesa terá funeral com cerimônia equivalente à dada para a Rainha Mãe

Por Da Redação - 8 abr 2013, 14h08

Flores depositadas na porta de casa, declarações de políticos e bandeira britânica a meio-mastro – a Grã-Bretanha está em luto pela morte de sua ex-premiê Margaret Thatcher, a primeira mulher a ocupar o cargo na Europa e responsável pelos princípios econômicos e políticos que o país adota até hoje. Em onze anos e meio no poder, Thatcher privatizou furiosamente, peitou sindicalistas, encolheu o governo e recuperou a prosperidade dos ingleses. A receita de Maggie atraiu ira e admiração em doses descomunais. Thatcher terá um funeral com honras militares, com o mesmo status da cerimônia realizada em homenagem à princesa Diana e à Rainha Mãe, Elizabeth. De acordo com seu próprio desejo, ela não receberá honras de estado. O funeral começará em Westminster, na capela de Saint Mary, de onde o caixão será transferido, em uma carruagem real e em procissão pública, até a Catedral de Saint Paul. Após a cerimônia, o corpo será encaminhado para a cremação.

Thatcher ficou no poder de 1979 a 1990, tempo mais do que suficiente para os princípios que defendia (menos governo, menos despesas e independência em relação à União Europeia) se fixassem profundamente no modo de vida britânico. Isso não significa, contudo, que a ex-premiê fosse unanimidade: foi derrubada do poder em 1990, quando seu próprio partido se voltou contra ela. O gatilho da crise interna do Partido Conservador que levou Thatcher a perder o posto foi sua recusa tenaz em integrar o Reino Unido à zona do euro, prevendo que esta seria uma babel dominada pela Alemanha e sacudida por crises econômicas. Os 22 anos desde então só confirmam seu vaticínio.

Depois de ser duramente criticada por questionar o papel da União Europeia nas decisões locais, o discurso de Thatcher nunca foi tão atual quanto agora: diante do desencanto dos britânicos com os rumos do bloco, o premiê David Cameron prometeu recentemente, caso seja reeleito em 2015, realizar um plebiscito para decidir a permanência da Grã-Bretanha na UE. Cameron, aliás, representou a volta dos conservadores ao poder após treze anos de comando trabalhista no país.

Homenagens – Após a notícia de que Thatcher morreu na manhã desta segunda-feira em consequência de um derrame cerebral, a bandeira britânica foi rebaixada a meio-mastro em várias partes de Londres, inclusive no Parlamento britânico. Na porta da casa de Thatcher, no centro de Londres, anônimos depositaram flores em homenagem à mulher que ocupou o cargo de primeira-ministra por quase 12 anos. Uma carta deixada na entrada da residência dizia “RIP Maggie Thatcher. A maior líder britânica e uma verdadeira lady”.

Leia também:

Morte de Margaret Thatcher provoca reação mundial

Continua após a publicidade

Elizabeth II recebe com tristeza notícia da morte de Thatcher

Política – Por causa da morte de Thatcher, os partidos suspenderam as campanhas eleitorais (na Inglaterra e no País de Gales, as eleições estão marcadas para 2 de maio). Políticos britânicos também manifestaram seu pesar. O primeiro-ministro, David Cameron, que encurtou uma viagem pela Europa após receber a notícia, disse que a Grã-Bretanha perdeu hoje uma grande líder. “A verdade sobre Margaret Thatcher é que ela não apenas liderou nosso país, como também o salvou”, disse.

O chanceler William Hague também lamentou a perda. “Ela mudou nosso país para sempre e todos nós devemos muito a ela. Um legado que poucos poderão trazer. Descanse em paz, Margaret”. Por sua vez, o prefeito de Londres, Boris Johnson, que reagiu rapidamente à notícia, via Twitter, aproveitou para criticar a política atual. “Muito triste ao saber da morte da baronesa Thatcher. Sua memória viverá até depois que o mundo esqueça do cinza da política de hoje”.

Lenda – Margaret Thatcher, a primeira e única mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra na Grã-Bretanha, morreu aos 87 anos de idade após um derrame cerebral na manhã desta segunda-feira, segundo anunciou o porta-voz de sua família, lorde Tim Bell. Ela não falava em público desde 2002, quando teve um derrame, e sofreu vários outros depois disso.

Os pequenos derrames que sofreu desde então lhe deixaram sequelas como confusões ocasionais e perdas de memória. Seu estado de saúde estava se deteriorando desde então, e ela chegou a sofrer de demência. Segundo sua filha, Carol, em suas crises, Thatcher tinha dificuldades em terminar suas frases e esquecia que seu marido, Denis Thatcher, morreu em 2003. A morte de seu mais próximo confidente e companheiro por 50 anos intensificou seu isolamento do mundo. A última vez em que ela foi internada foi em dezembro de 2012, quando passou por uma cirurgia na bexiga.

Thatcher deixou um papel bem definido na história: o de líder da revolução liberal que, na década de 1980, desmontou programas sociais deficitários, cortou impostos e gastos públicos, privatizou estatais perdulárias e tirou da paralisia a economia britânica para, depois, se espalhar pelo mundo. Vinte anos depois do fim de seu governo, o “thatcherismo” continua tão atual na Grã-Bretanha quanto a monarquia, o peixe com batata frita e a cerveja quente dos pubs – mais do que uma convicção política, é uma instituição nacional.

Continua após a publicidade
Publicidade