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Governo reprime protesto pró-Mursi com banho de sangue

Forças de segurança mataram ao menos 56 ao pôr fim a acampamentos de partidários do presidente deposto. Irmandade Muçulmana fala em 250 mortos

Por Da Redação - 14 ago 2013, 10h06

Em uma questão de horas, as forças de segurança do Egito transformaram em praças de guerra os acampamentos mantidos pelos apoiadores do presidente deposto Mohamed Mursi. A ofensiva para desocupar os locais terminou com um saldo ainda incerto de mortos. O que se sabe, contudo, é que as ruas do Cairo foram palco de um verdadeiro banho de sangue: testemunhas afirmam ter contado ao menos quarenta corpos em um necrotério, enquanto o governo confirma 56 óbitos, segundo a rede BBC. Já a Irmandade Muçulmana alega que pelo menos 250 pessoas morreram. Mais tarde, o governo do Egito anunciou que “usará todos os meios para repelir terroristas” e impedir ataques contra propriedades públicas e delegacias.

As forças do Exército chegaram aos acampamentos munidas de armamentos e tratores. Logo, segundo correspondentes da rede americana CNN, o caos se seguiu: os apoiadores de Mursi se recusaram a sair e disseram que estavam dispostos a morrer. “Eu, pessoalmente, nunca vi tanto derramamento de sangue”, afirmou o repórter da rede Reza Sayah.

Entenda o caso

  1. • Na onda das revoltas árabes, egípcios iniciaram, em janeiro de 2011, uma série de protestos exigindo a saída do ditador Hosni Mubarak, há trinta anos no poder. Ele renunciou no dia 11 de fevereiro.
  2. • Durante as manifestações, mais de 800 rebeldes morreram em confronto com as forças de segurança de Mubarak, que foi condenado à prisão perpétua acusado de ordenar os assassinatos.
  3. • Uma Junta Militar assumiu o poder logo após a queda do ditador e até a posse de Mohamed Mursi, eleito em junho de 2012.
  4. • Membro da organização radical islâmica Irmandade Muçulmana, Mursi ampliou os próprios poderes e acelerou a aprovação de uma Constituição de viés autoritário.
  5. • Opositores foram às ruas protestar contra o governo e pedir a renúncia de Mursi, que não conseguiu trazer estabilidade ao país nem resolver a grave crise econômica.
  6. • O Exército derrubou o presidente no dia 3 de julho, e anunciou a formação de um governo de transição, que não foi aceito pelos membros da Irmandade Muçulmana.

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Segundo a BBC, que cita autoridades egípcias, os acampamentos na capital já foram “liberados”. O porta-voz do Conselho de Ministros Sherif Shauqi leu um comunicado do Executivo no qual afirmou que perseguirão os “terroristas” para proteger as propriedades públicas. O governo também pediu à Irmandade Muçulmana que pare de incitar seus seguidores a “ameaçarem” a segurança nacional.

“O Executivo atribuirá aos dirigentes da Irmandade Muçulmana a responsabilidade total por qualquer sangue derramado e todo o caos e a violência atual”, disse o porta-voz. Além disso, Shauqi insistiu que as autoridades seguirão adiante com o plano traçado para a transição, que prevê a realização de eleições antecipadas e a reforma da Constituição.

No comunicado, o governo também elogiou o papel desempenhado pelas forças de segurança para esvaziar as praças de Rabaa al-Adawiya e de Nahda, no Cairo, “o que se reflete no reduzido número de feridos”, disse Shauqi.

O presidente da Turquia, Abdullah Gul, condenou a ação das forças egípcias, classificando-a como “inaceitável”.

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Crise – As autoridades que assumiram o comando do país depois da derrubada de Mursi em 3 de julho planejavam há semanas uma estratégia para remover os dois grandes acampamentos de membros da Irmandade Muçulmana no Cairo. O governo já havia ameaçado por três vezes acabar com as concentrações, mas recuou. Os manifestantes se anteciparam a possíveis conflitos erguendo uma barreira com sacos de areia, pneus e pilhas de tijolos, que começaram a ser removidos nesta quarta com a ajuda de tratores e blindados do Exército.

(Com agência EFE)

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