Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Governo reprime protesto pró-Mursi com banho de sangue

Forças de segurança mataram ao menos 56 ao pôr fim a acampamentos de partidários do presidente deposto. Irmandade Muçulmana fala em 250 mortos

Em uma questão de horas, as forças de segurança do Egito transformaram em praças de guerra os acampamentos mantidos pelos apoiadores do presidente deposto Mohamed Mursi. A ofensiva para desocupar os locais terminou com um saldo ainda incerto de mortos. O que se sabe, contudo, é que as ruas do Cairo foram palco de um verdadeiro banho de sangue: testemunhas afirmam ter contado ao menos quarenta corpos em um necrotério, enquanto o governo confirma 56 óbitos, segundo a rede BBC. Já a Irmandade Muçulmana alega que pelo menos 250 pessoas morreram. Mais tarde, o governo do Egito anunciou que “usará todos os meios para repelir terroristas” e impedir ataques contra propriedades públicas e delegacias.

As forças do Exército chegaram aos acampamentos munidas de armamentos e tratores. Logo, segundo correspondentes da rede americana CNN, o caos se seguiu: os apoiadores de Mursi se recusaram a sair e disseram que estavam dispostos a morrer. “Eu, pessoalmente, nunca vi tanto derramamento de sangue”, afirmou o repórter da rede Reza Sayah.

Entenda o caso

  1. • Na onda das revoltas árabes, egípcios iniciaram, em janeiro de 2011, uma série de protestos exigindo a saída do ditador Hosni Mubarak, há trinta anos no poder. Ele renunciou no dia 11 de fevereiro.
  2. • Durante as manifestações, mais de 800 rebeldes morreram em confronto com as forças de segurança de Mubarak, que foi condenado à prisão perpétua acusado de ordenar os assassinatos.
  3. • Uma Junta Militar assumiu o poder logo após a queda do ditador e até a posse de Mohamed Mursi, eleito em junho de 2012.
  4. • Membro da organização radical islâmica Irmandade Muçulmana, Mursi ampliou os próprios poderes e acelerou a aprovação de uma Constituição de viés autoritário.
  5. • Opositores foram às ruas protestar contra o governo e pedir a renúncia de Mursi, que não conseguiu trazer estabilidade ao país nem resolver a grave crise econômica.
  6. • O Exército derrubou o presidente no dia 3 de julho, e anunciou a formação de um governo de transição, que não foi aceito pelos membros da Irmandade Muçulmana.

Leia mais no Tema ‘Revolta no Egito’

Segundo a BBC, que cita autoridades egípcias, os acampamentos na capital já foram “liberados”. O porta-voz do Conselho de Ministros Sherif Shauqi leu um comunicado do Executivo no qual afirmou que perseguirão os “terroristas” para proteger as propriedades públicas. O governo também pediu à Irmandade Muçulmana que pare de incitar seus seguidores a “ameaçarem” a segurança nacional.

“O Executivo atribuirá aos dirigentes da Irmandade Muçulmana a responsabilidade total por qualquer sangue derramado e todo o caos e a violência atual”, disse o porta-voz. Além disso, Shauqi insistiu que as autoridades seguirão adiante com o plano traçado para a transição, que prevê a realização de eleições antecipadas e a reforma da Constituição.

No comunicado, o governo também elogiou o papel desempenhado pelas forças de segurança para esvaziar as praças de Rabaa al-Adawiya e de Nahda, no Cairo, “o que se reflete no reduzido número de feridos”, disse Shauqi.

O presidente da Turquia, Abdullah Gul, condenou a ação das forças egípcias, classificando-a como “inaceitável”.

Crise – As autoridades que assumiram o comando do país depois da derrubada de Mursi em 3 de julho planejavam há semanas uma estratégia para remover os dois grandes acampamentos de membros da Irmandade Muçulmana no Cairo. O governo já havia ameaçado por três vezes acabar com as concentrações, mas recuou. Os manifestantes se anteciparam a possíveis conflitos erguendo uma barreira com sacos de areia, pneus e pilhas de tijolos, que começaram a ser removidos nesta quarta com a ajuda de tratores e blindados do Exército.

(Com agência EFE)