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Governo interino toma posse no Egito

Nenhum integrante de partido islâmico faz parte da equipe que terá como missão abrir caminho para nova Constituição

Por Da Redação 16 jul 2013, 16h00

Os integrantes do governo interino do Egito tomaram posse nesta terça-feira, em uma cerimônia transmitida ao vivo pela TV estatal. O general Abdel Fattah al-Sisi, que anunciou a deposição de Mohamed Mursi, no último dia 3, permanece como ministro da Defesa e assume também a função de vice-primeiro-ministro. O gabinete terá Adly Mansour, presidente interino designado pelos militares, e o ex-ministro das Finanças Hazem al-Beblawi como primeiro-ministro. O economista foi indicado para o posto depois de outros nomes serem contestados – como o de Mohamed El-Baradei, que assumiu como vice-presidente interino.

Entenda o caso

  1. • Na onda das revoltas árabes, egípcios iniciaram, em janeiro de 2011, uma série de protestos exigindo a saída do ditador Hosni Mubarak, há trinta anos no poder. Ele renunciou no dia 11 de fevereiro.
  2. • Durante as manifestações, mais de 800 rebeldes morreram em confronto com as forças de segurança de Mubarak, que foi condenado à prisão perpétua acusado de ordenar os assassinatos.
  3. • Uma Junta Militar assumiu o poder logo após a queda do ditador e até a posse de Mohamed Mursi, eleito em junho de 2012.
  4. • Membro da organização radical islâmica Irmandade Muçulmana, Mursi ampliou os próprios poderes e acelerou a aprovação de uma Constituição de viés autoritário.
  5. • Opositores foram às ruas protestar contra o governo e pedir a renúncia de Mursi, que não conseguiu trazer estabilidade ao país nem resolver a grave crise econômica.
  6. • O Exército derrubou o presidente no dia 3 de julho, e anunciou a formação de um governo de transição.

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Mohammed Ibrahim, ministro do Interior apontado por Mursi, manteve o seu cargo, segundo informação da rede britânica BBC. Nabil Fahmy assumiu o Ministério das Relações Exteriores e Sherif Ismail, o Ministério do Petróleo. Mounir Fakhry Abdel Nour, um cristão, será o ministro da Indústria e do Comércio. Três mulheres também integram o gabinete interino. Uma delas é Maha el-Rabat, responsável pela pasta da Saúde.

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O plano de transição anunciado pelo presidente interino prevê a formação de um grupo na próxima semana para estudar as mudanças a serem feitas na Constituição e estabelecer o calendário para as eleições parlamentares e presidenciais. A expectativa é que os pleitos sejam realizados no início do ano que vem.

Nenhum partido islâmico foi contemplado com um cargo neste novo governo. Um porta-voz do presidente interino negou que qualquer pessoa tenha sido “excluída” do novo gabinete e disse que postos foram oferecidos a membros da Irmandade Muçulmana e também do partido salafista Nour. No entanto, Gehad el-Haddad, porta-voz da Irmandade, que defende a volta de Mursi, afirmou que nenhum cargo foi oferecido. “A coisa toda é ilegítima”, disse, segundo o jornal The New York Times.

Protestos – A cerimônia de posse foi precedida de novos conflitos entre as forças de segurança do Egito e apoiadores de Mursi. Ao menos sete pessoas morreram e outras 260 ficaram feridas na madrugada desta terça-feira. Duas pessoas foram mortas em uma ponte no centro do Cairo quando a polícia e ativistas anti-Mursi entraram em choque com partidários do presidente deposto que bloqueavam o caminho. Outras cinco foram mortas no bairro de Giza, também na capital, disse o chefe dos serviços de emergência, Mohamed Sultan. Os confrontos foram os mais sangrentos desde que mais de cinquenta apoiadores de Mursi foram mortos pelo Exército, há uma semana.

O porta-voz do Exército, coronel Ahmed Mohamed Ali, disse à BBC que os militares não usaram força excessiva contra os manifestantes. “Não eram protestos pacíficos. Tivemos protestos armados. O papel dos militares é defender as unidades militares e organizações. O Exército egípcio não foi criado para matar egípcios”.

(Com agência Reuters)

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