Assine VEJA a partir de R$ 9,90/mês.

Governo francês critica polícia por usar gás contra ambientalistas

Revoltados com a omissão do governo, manifestantes ocupavam a Pont de Sully durante o dia mais quente já registrado em Paris

Por Da Redação - 1 jul 2019, 14h07

O ministro do Interior da França, Christophe Castaner, exigiu que o chefe da polícia de Paris explique uma operação violenta para remover manifestantes de uma ponte da cidade. Os métodos das autoridades viraram alvo de críticas depois que vídeos de policiais usando gás de pimenta e arrastando os ativistas viralizaram nas redes sociais.

Os manifestantes faziam parte do grupo Extinction Rebellion, um movimento de desobediência civil a favor do meio ambiente que começou no Reino Unido. Na sexta-feira 28, ele bloquearam o tráfego na Pont de Sully, durante o recorde de calor na capital francesa, que muitos atribuem às consequências do aquecimento global.

A polícia francesa usou escudos e spray de pimenta para remover os ativistas, que estavam sentados de pernas cruzadas, bloqueando a ponte sobre o rio Sena. Um vídeo gravado por um jornalista mostrou as autoridades espirrando o gás no rosto dos manifestantes, causando revolta entre os internautas.

Apesar da notificação, o ministro Christophe Castaner defendeu que a ação policial para dispersar o protesto foi “necessária para restaurar o trânsito de pessoas e de veículos no centro de Paris.”

Segundo os policiais, 90 pessoas participavam do ato. Já o Extinction Rebellion estima que pelo menos 200 manifestantes ocupavam o local. Duas pessoas foram detidas mas liberadas logo em seguida, de acordo com alguns dos militantes.

Publicidade

“Nós estamos tentando fazer as pessoas serem conscientes dos problemas ecológicos que são um sintoma do nosso sistema”, declarou Sophia Karpenko, neurocientista francesa e porta-voz do ER, ao jornal The Guardian.

Extinction Rebellion se descreve como um grupo de ação direta pacífica. A iniciativa organizou uma série de grandes protestos em Londres, incluindo o bloqueio de estradas e linhas de trem, como parte de seus esforços de conscientização sobre as mudanças climáticas.

Em entrevista a uma emissora local, o ministro do Meio Ambiente francês, François de Rugy, acusou os manifestantes de serem “radicais” que não oferecem uma solução real para cortar a emissão de gases do país. Ainda segundo Rugy, a polícia usou o gás de pimenta por “não ter escolha”, já que os ativistas se recusaram a sair do lugar.

Nesta semana, relatório independente de uma organização não governamental francesa, a Haut Counseil sur le Clima, concluiu que o país está falhando na redução de gases do efeito estufa, apesar de suas promessas anteriores, ao sediar a assinatura do Acordo de Paris em 2015.

Publicidade