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Governo da Colômbia confirma início de negociação com as Farc em Oslo

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, anunciou em cadeia nacional de rádio e televisão na tarde desta terça-feira detalhes sobre as negociações de paz com a guerrilha Farc, que visa encerrar um conflito de quase cinquenta anos de duração. Santos afirmou que as conversas para consolidar o processo começam na primeira quinzena de outubro, em Oslo, na Noruega. Ele afirmou que o roteiro é resultado de conversas “discretas” realizadas “durante seis meses em Havana com o acompanhamento de Cuba e Noruega”, nas quais ficaram definidos “o propósito, a agenda e as regras do jogo” para a obtenção de um “acordo final”.

O colombiano enfatizou que as ações militares não serão interrompidas. Ele afirmou que este é momento adequado para retomar o processo de paz, pois o país mudou e o acordo é diferente dos anteriores. Segundo Santos, a mudança na sociedade colombiana aconteceu devido ao crescimento econômico nos últimos anos e à saída de milhões pessoas da pobreza. O presidente afirmou ainda que “o uso da força para atingir objetivos políticos é coisa do passado”, relembrando que as Farc é a única guerrilha presente no continente e que os diversos grupos políticos armados da região se incorporaram ao processo democrático. Para Santos, esta possibilidade de acordo é diferente, pois o estado está presente em mais lugares do país e não haverá paralização das atividades militares.

O chefe de estado afirmou que as negociações começaram há um ano e meio e deve durar “alguns meses – e não anos”. Ele disse que foi elaborada uma agenda de negociações baseada em cinco pontos: desenvolvimento rural, garantias de participação política da oposição, fim do conflito armado, combate ao narcotráfico e, por fim, direitos das vítimas do conflito, que incliu o julgamento dos responsáveis por assassinatos cometidos pela guerrilha e pelas forças militares.

O presidente destacou o papel de Cuba, Chile, Noruega e Venezuela por apoiar o processo de paz. A última negociação entre o governo colombiano e as Farc aconteceu entre 1999 e 2002, durante a presidência de Andrés Pastrana, mas fracassou.

Guerrilha – Havia expectativa em relação à possível entrevista coletiva de representantes da Farc, em Havana. No entanto, foi apresentado apenas um vídeo em que o chefe da guerrilha colombiana, Rodrigo Londoño, conhecido como Timoleón Jiménez ou “Timochenko”, reafirmou o interesse do grupo em dialogar “sem rancor ou arrogância”. “A saída não é a guerra e sim o diálogo civilizado”, disse na gravação que foi projetada no Palácio de Convenções de Havana. A entrevista coletiva foi reagendada para amanhã.

Repercussão – O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, divulgou comunicado elogiando a iniciativa do governo colombiano. Para a Casa Branca, as Farc “deveriam aceitar agora esta oportunidade para pôr fim a décadas de terrorismo e narcotráfico, e permitir aos colombianos continuar construindo uma sociedade democrática, próspera e alegre”. Já o ex-presidente colombiano, Álvaro Uribe, que ficou no poder de 2002 a 2010, qualificou as negociações formais de paz como uma “bofetada na democracia”. Uribe disse que é contrário a um acordo entre o governo e a guerrilha. “As possibilidades de êxito estão baseadas em negociar com eles a agenda do país, e isso seria um mau exemplo para a democracia”, afirmou.