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‘Ganhamos, ele perdeu’, diz sobrevivente de massacre na ilha de Utoeya

Copenhague, 14 mai (EFE).- Frida Holm Skoglund, sobrevivente do massacre no acampamento da Juventude Trabalhista na ilha norueguesa de Utoeya, no qual morreram 69 pessoas, disse nesta segunda-feira que o ultradireitista e autor confesso dos assassinatos, Anders Behring Breivik, foi derrotado.

‘Ganhamos. Ele perdeu. A juventude norueguesa sabe nadar’, disse Frida durante o julgamento contra Breivik em um tribunal de Oslo. A jovem foi ferida por uma bala na coxa, mas conseguiu se atirar na água e foi resgatada por um bote, segundo a transcrição de seu testemunho durante o julgamento contra Breivik, divulgada pela televisão pública ‘NRK’.

Breivik tinha dito há umas semanas durante sua declaração que seu objetivo era matar todas as pessoas presentes no acampamento, cerca de 600, provocando terror e usando a água como ‘arma de destruição em massa’, já que esperava que muitos se afogassem.

Frida, a única testemunha que até agora pediu para falar sem a presença do acusado na sala, contou como viu da água Breivik, disfarçado de policial, matar vários jovens no sul da ilha. A jovem passou cerca de uma hora na água apesar do ferimento na coxa, complicada por uma lesão anterior no joelho, sofrendo ataques de asma e a ponto de se afogar, segundo descreveu.

Sua declaração foi um dos cinco dos sobreviventes de Utoeya feridos no massacre e que começaram a testemunhar hoje na quinta das dez semanas previstas para o julgamento. Além dela, Marius Hoft, de 18 anos, disse que já tinha se organizado para voltar para casa com seu melhor amigo, quando foi surpreendido por disparos.

Na fuga pela ilha, os dois pularam vários cadáveres e decidiram escalar uma parede rochosa para se esconder do ultradireitista, de 33 anos. ‘Quando estou escalando, posso escutar uns sons e meu amigo caindo no vazio. Ele não fez nenhum barulho ao cair’, declarou Hoft. O jovem permaneceu na cavidade da rocha sem fazer barulho para evitar ser descoberto por várias horas, até ser resgatado, e disse ter visto Breivik matando outras pessoas.

Da mesma forma, Silja Kristianne Uteng, ferida de bala no antebraço, atravessou nadando até a costa junto com outros jovens, que se encorajavam uns durante o percurso. Outro sobrevivente, Lars Grønnestad, ficou escondido junto a uma rocha, onde se refugiou após receber um tiro pelas costas que perfurou parcialmente o pulmão e que quase o matou.

O tribunal anunciou que estudará as declarações de alguns especialistas de saúde que atenderam Breivik, mas o acusado se opõe. ‘Penso que é totalmente inaceitável que minha explicação ideológica seja totalmente censurada e que as explicações dos psiquiatras sejam transmitidas. Isto vai a criar um desequilíbrio e contribuirá para que eu pareça um doente’, afirmou o acusado.

Breivik confessou ter matado 77 pessoas em um duplo atentado e luta para não ser declarado um doente mental e evitar uma condenação em um hospital psiquiátrico, que ele considera uma ‘humilhação’. EFE