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G7 pressiona China e Pequim acusa grupo de ‘manipulação’

Líderes das sete maiores economias apontaram abusos de direitos humanos e cobraram o país asiático por mais transparência sobre origens do coronavírus

Por Julia Braun 14 jun 2021, 09h17

Ao fim da reunião de cúpula de três dias na Inglaterra, os líderes do G7 publicaram um comunicado que, entre outros tópicos, criticava a China por abusos de direitos humanos e pressionava o governo local a cooperar com a Organização Mundial da Saúde (OMS) nas investigações sobre a origem do coronavírus. Diante das denúncias, Pequim acusou o grupo de “manipulações políticas” e “interferência” em assuntos internos.

No documento divulgado neste domingo 13, os líderes das sete maiores economias do mundo apontaram abusos em termos de direitos humanos sobre as minorias que vivem na região de Xinjiang e os ativistas pró-democracia em Hong Kong. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, pediu a Pequim que “comece a agir de maneira mais responsável a respeito das regras internacionais sobre os direitos humanos”.

Em resposta, a embaixada chinesa no Reino Unido afirmou que o G7 é fonte de “mentiras, boatos e acusações sem fundamento”. “O G7 se aproveita das questões relacionadas com Xinjiang para fazer manipulações políticas e interferir nos assuntos internos da China, aos quais nos opomos com firmeza”, afirmou o porta-voz da embaixada em um comunicado publicado nesta segunda-feira, 14.

O diplomata afirmou ainda que a China “sempre manteve uma atitude aberta e transparente” sobre as origens do coronavírus e disse que o trabalho de pesquisa sobre o tema “deve ser realizado com a cooperação de cientistas globais e não deve ser politizado”.

“Os políticos nos Estados Unidos e em outros países ignoram os fatos e a ciência, questionam e negam abertamente as conclusões do relatório do grupo de especialistas conjuntos e fazem acusações irracionais contra a China”, disse o porta-voz, se referindo a uma missão de especialistas enviada ao país pela OMS no início do ano para apurar o caso.

A missão concluiu que “todas as evidências disponíveis sugerem que o Sars-CoV-2 tem origem animal natural e não é um vírus manipulado ou construído”. Ainda assim, não foi possível apontar com precisão quando foi o primeiro caso e como os humanos foram infectados inicialmente e a OMS planeja outras análises.

No final de maio, uma reportagem do jornal The Wall Street Journal reacendeu o debate ao revelar que três pesquisadores do Instituto de Virologia de Wuhan procuraram cuidados hospitalares em novembro de 2019, antes do início da epidemia. A informação seria de um relatório feito pelo serviço de inteligência dos Estados Unidos e que não foi divulgado. A descoberta alimenta os teóricos de que o vírus poderia ter sido vazado acidentalmente do laboratório, uma hipótese negada pelo governo chinês e considerada “de risco extremamente baixo” pela OMS.

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