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Fúria da natureza: as queimadas na América do Norte

Em um dos focos californianos, a ferocidade das chamas provocou estragos. As labaredas destruíram uma área equivalente a 77 000 campos de futebol

Por Ernesto Neves Atualizado em 29 jul 2021, 14h08 - Publicado em 30 jul 2021, 06h00

A temporada de queimadas que todo ano faz ferver a Costa Oeste dos Estados Unidos, entre junho e novembro, desta vez mostrou primeiro sua face mais destrutiva no estado do Oregon, serpenteando o mapa até o Canadá, de clima predominantemente temperado, onde os termômetros batiam médias de 40 graus. E como estava a Califórnia, o tradicional cartão-postal dos incêndios, enquanto o norte ardia em chamas? O fogo também se alastrava por lá. Em um dos focos californianos, batizado de Dixie, a ferocidade das chamas provocou estragos. As labaredas destruíram uma área equivalente a 77 000 campos de futebol, provocando a evacuação de 8 000 pessoas e ameaçando destruir 10 000 construções em diferentes cidades. Tamanha fúria vem no rastro da pior estiagem da história da América do Norte, situação agravada pela formação de uma “cúpula de calor”, sistema de alta pressão que funciona como uma espécie de tampa de panela, retendo o calor e impedindo a chegada de frentes frias. De acordo com o órgão responsável pela coordenação nacional dos bombeiros, 2021 registrou até agora quase 37 000 pontos incendiosos, volume 10% superior ao observado no mesmo período do ano passado. E o raio se alastra. Uma força-tarefa está em ação em doze estados americanos para tentar frear as chamas. Por ora, o cenário não deve melhorar, já que os climatologistas preveem a formação de uma segunda cúpula de calor. O aquecimento global não deixa dúvida: veio para ficar — e incendiar.

Publicado em VEJA de 4 de agosto de 2021, edição nº 2749

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