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Furacão Iota atinge Nicarágua e especialistas preveem rastro de destruição

Com ventos de 260 quilômetros por hora, fenômeno maltrata as mesmas regiões destruídas pelo furacão Eta há duas semanas

Por Julia Braun Atualizado em 17 nov 2020, 09h09 - Publicado em 17 nov 2020, 08h52

As paredes do olho do furacão Iota, de categoria 5, com ventos de 260 quilômetros por hora, atingiram a Nicarágua na noite de segunda-feira 16, provocando ventos fortes e chuvas torrenciais. O fenômeno avança nesta terça, 17, pelo interior da América Central, uma região devastada há duas semanas pelo furacão Eta, e meteorologistas preveem estragos que podem demorar décadas para serem reparados.

“O furacão Iota perde força rapidamente sobre o noroeste da Nicarágua”, afirmou o Centro Nacional de Furacões (NHC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos em seu boletim de 9h GMT (6h de Brasília), que mesmo assim faz uma advertência sobre “ventos catastróficos e chuvas torrenciais”.

O Iota segue a mesma trajetória do furacão Eta, que deixou mais de 200 mortos e desaparecidos na América Central. Segundo estimativas oficiais, 2,5 milhões de pessoas foram afetadas na passagem da primeira tempestade.

Milhares de moradores foram retirados de suas casas e levados para abrigos em vários países, enquanto seus líderes políticos entraram em um acordo de frente comum para solicitar recursos internacionais enquanto os danos das tempestades se acumulam.

O Iota é o 13º furacão da temporada atual, particularmente intensa com um número recorde de ciclones, o que obrigou a usar o alfabeto grego para nomear novos fenômenos.

Albergues lotados

Bilwi, a cidade mais populosa do Caribe Norte nicaraguense, começou a sentir na segunda-feira fortes rajadas de vento e chuvas intensas. Centenas de indígenas miskitos e afrodescendentes moradores do bairro El Muelle, na costa de Bilwi, esperavam assustados a ajuda das autoridades para serem evacuados.

Os abrigos na Nicarágua, já demandados pelas evacuações durante a passagem do Eta, estavam saturados depois de terem recebido no domingo novas levas de refugiados ameaçados pelo Iota, disse Eufemia Hernández, coordenadora de um destes centros na universidade Uraccan.

O diretor do Sistema Nacional de Prevenção, Mitigação e Atenção a Desastres (Sinapred) da Nicarágua, Guillermo González, informou que são esperadas enchentes e deslizamentos de terra no Caribe Norte e nos departamentos de Chinandega, principalmente nos arredores do Vulcão Casitas, onde o furacão Mitch matou milhares de pessoas após um deslizamento de terra em 1998.

A Nicarágua se encontra em “alerta máximo vermelho na zona do Caribe Norte”, acrescentou González. “É um dos fenômenos mais violentos que já se aproximaram do nosso país”, ressaltou.

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Ajuda internacional

O nordeste da Nicarágua, uma região extensa e muito populosa, com moradores das etnias miskito, sumos, garífunas, créole e mestiços, esperava o impacto de Iota sem ter terminado de assimilar os efeitos do furacão Eta.

O governo e organismos de socorro da Nicarágua se apressavam para enviar por terra alimentos e outras provisões aos desabrigados no Caribe, antes de a região ficar incomunicável pela cheia dos rios caudalosos que a atravessam.

Em Honduras, Iota provocou rajadas de ventos e fortes chuvas na segunda-feira nos departamentos orientais de Gracias a Dios – habitados por indígenas miskitos –, Colón, norte de Olancho e parte de Atlántida, segundo a Comissão Permanente de Contingência (Copeco) estadual.

De acordo com a mídia local, mais de 175.000 pessoas deixaram suas casas desde sábado, especialmente em áreas inundadas durante o flagelo Eta no Vale de Sula, perto de San Pedro Sula, capital industrial do país, 180 quilômetros ao norte de Tegucigalpa.

A Guatemala mantém a vigilância nas províncias de Alta Verapaz, Izabal, Quiché, Huehuetenango, Petén, Zacapa e Chiquimula, nas regiões norte, oeste e leste, duramente castigadas pelo Eta e ainda com dezenas de comunidades isoladas por deslizamentos e inundações, segundo Yelson Samayoa, diretor do Instituto de Meteorologia.

O Panamá, atingido pelas bandas do furacão Iota, declarou um alerta vermelho nas províncias ocidentais de Chiriquí e Boca del Toro e na região indígena Ngäbe-Buglé.  E autoridades colombianas informaram nesta segunda que a Ilha da Providência, onde moram umas 6.000 pessoas, estava incomunicável pelo impacto do furacão.

Diante do impacto dos furacões, os presidentes da Guatemala, Honduras, Nicarágua e Costa Rica pediram nesta segunda-feira por ajuda a comunidade internacional, em um encontro virtual.

O presidente do Banco Centro-Americano de Integração Econômica (CABEI), Dante Mossi, presente no evento online, propôs à entidade o envio de 2,5 bilhões de dólares “para restaurar infraestrutura, barragens e construção de moradias populares”.

(Com AFP e EFE)

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