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França diz que acordo com Irã não está longe

Para uma saída diplomática, Laurent Fabius, ministro francês, defende que o Irã suspenda construção de reator e o enriquecimento de urânio

Por Da Redação 11 nov 2013, 07h49

O ministro das Relações Exteriores francês, Laurent Fabius, disse nesta segunda-feira que tem esperança em um acordo com Irã sobre seu programa nuclear. “Nós não estamos longe de um acordo com os iranianos, mas ainda não chegamos lá”, disse Fabius à rádio Europe 1. Alguns diplomatas acusaram a França de arrogância durante as conversações em Genebra no fim de semana, algo que Fabius negou, dizendo que Paris não estava isolada, mas teve uma política externa independente. “Estamos firmes, mas não rígidos. Nós queremos paz, e nós queremos chegar ao final”, afirmou.

Fabius voltou a dizer que o Irã deve suspender a construção do reator nuclear e interromper o enriquecimento de urânio em troca de um abrandamento das sanções internacionais impostas à economia do país – uma posição adotada por Paris há muito tempo.

A maratona de negociações entre o grupo 5+1 — os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Rússia, China, Grã-Bretanha e França) mais a Alemanha — e o Irã, no sábado, não chegou a um acordo. Os lados marcaram um novo encontro para 20 de novembro.

A responsável pela política externa da União Europeia, Catherine Ashton, representando o 5+1, afirmou em entrevista coletiva que houve avanços concretos, mas que certas diferenças persistem. O Irã afirma que seu programa nuclear é pacífico, mas esconde detalhes sobre ele e impede vistorias da ONU. Potências ocidentais acreditam que Teerã esteja enriquecendo urânio para fabricar armas nucleares e por isso impõem severas sanções econômicas aos país.

Agência – Enquanto prosseguem as conversas em Genebra, o governo do Irã e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) anunciaram nesta segunda-feira que assinaram um termo conjunto que permitirá visitas ao reator de água pesada de Arak e à mina de urânio de Gachin.

“Conseguimos uma declaração comum que fixa um mapa do caminho para a cooperação com a AIEA”, declarou o diretor da Organização Nuclear Iraniana, Ali Akbar Salehi, após uma reunião com o diretor da AIEA, o japonês Yukiya Amano, que está em missão oficial em Teerã. O diretor da AIEA comemorou o acordo, mas disse que “restam muitas coisas por fazer” para resolver as dúvidas sobre a possível dimensão militar do programa nuclear iraniano.

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EUA – Em Abu Dhabi, o secretário de Estado americano John Kerry disse nesta segunda-feira que os Estados Unidos “não estão numa corrida” para concluir as negociações com o Irã sobre o programa nuclear da República Islâmica. Em entrevista coletiva ao lado do chanceler dos Emirados Árabes Unidos, xeique Abdullah bin Zayed al-Nahayan, Kerry disse que Washington vai defender seus aliados na região e não colocará em risco os laços com parceiros árabes. Com a sua declaração, o secretário de Estado parece responder ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que na sexta-feira afirmou que um possível acordo negociado com o Irã era “muito ruim”.

Histórico – Esta foi a segunda rodada de negociações desde a chegada do presidente Hassan Rohani ao poder, em agosto. Ele promoveu uma renovação na equipe iraniana que negocia a questão nuclear e sinalizou que estaria disposto a dialogar com o Ocidente.

(Com agências Reuters e France-Presse)

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