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Força conjunta de 5 mil soldados inicia buscas por Kony na África

Campala, 23 mar (EFE).- Uma força militar conjunta de 5 mil soldados começará neste sábado uma intensa operação de busca por Joseph Kony, procurado por crimes de guerra pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) e líder do Exército de Resistência do Senhor (LRA, na sigla em inglês).

As tropas – procedentes de Uganda, Sudão do Sul, República Democrática do Congo e República Centro-Africana, os quatro países afetados pela atividade criminosa do LRA – contam com o respaldo das Nações Unidas e da União Africana (UA), anunciaram nesta sexta-feira fontes militares em Entebbe (cidade próxima a Campala).

‘Com este novo mandato, Uganda deixa de trabalhar unilateralmente para capturar Kony e os membros do LRA’, explicou o coronel Dick Olum, responsável da força.

O representante especial da UA para contraterrorismo, Francisco Madeira, indicou à imprensa que ‘os países tentaram capturar Kony antes, mas falharam porque não estavam devidamente coordenados’.

‘Esta é uma força autorizada pela UA para pôr fim a Kony e a seus seguidores’, ressaltou Madeira.

Em outubro do ano passado, o governo do presidente americano, Barack Obama, enviou cerca de 100 assessores militares à região para impulsionar as buscas por Kony, um criminoso que ganhou fama mundial recentemente devido a uma controvertida campanha da ONG americana Invisible Children.

O conflito do norte de Uganda – onde o LRA assassinou, mutilou, sequestrou e violentou milhares de pessoas, em sua maioria crianças, desde o final dos anos 1980 – se difundiu desde 2006 pelos países vizinhos, que agora também fornecem tropas para buscar o guerrilheiro.

Em 2005, o TPI emitiu um mandado de prisão internacional contra Kony e outros importantes membros do LRA por crimes de guerra.

‘A luta começou para defender a população acholi das represálias do presidente (de Uganda), Yoweri Museveni’, disse à Agência Efe em maio passado Kenneth Banya, antigo conselheiro de Kony e ‘ex-número 3’ do LRA durante os 18 anos que permaneceu nas fileiras rebeldes – para as quais disse ter sido recrutado à força.

Mas depois – e há distintas versões sobre como aconteceu a mudança de objetivo -, Kony e suas milícias começaram a lutar com a suposta meta de instaurar um Estado teocrático sob os Dez Mandamentos em Uganda.

Em seus poucos contatos com a imprensa, Kony sempre negou as acusações. EFE