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Falar com o assassino da Noruega é como estar diante de Hannibal Lecter, diz psicólogo

Por Por Pierre-Henry Deshayes 11 jun 2012, 15h09

Conversar com o assassino de extrema-direita norueguês Anders Behring Breivik foi como se reunir com Hannibal Lecter, o personagem canibal vivido por Anthony Hopkins no filme “O silêncio dos inocentes”, declarou o psicólogo Eirik Johannsen durante uma audiência do julgamento realizada nesta segunda-feira.

O profissional está convencido de que o extremista de direita está são o bastante para ser considerado penalmente responsável por ter assassinado 77 pessoas no ano passado na Noruega.

“Levando-se em conta sua ideologia, não penso que possa ser tratado mediante uma terapia ou com medicamentos”, declarou o especialista.

Johannsen ainda declarou que se encontrou durante 26 horas com o acusado em detenção e disse estar “completamente convencido de que Breivik não é psicótico”.

O especialista justifica seus pontos de vista pouco comuns ao seu extremismo político, e não a uma doença.

“Ele fabricou uma identidade para convencer outros extremistas de direita e fascistas (a seguir seu exemplo), uma identidade que não corresponde ao que ele é verdadeiramente. Mas não em um sentido psicótico”, acrescentou.

A saúde mental de Breivik é um dos elementos chave do julgamento pela morte de 77 pessoas no dia 22 de julho de 2011, quando explodiu uma bomba perto da sede do governo em Oslo e depois disparou contra jovens que participavam de um acampamento na ilha de Utoya.

No 34º dia de seu processo, os advogados de defesa convocaram psiquiatras e psicólogos que observaram Breivik durante sua detenção a testemunhar.

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A psiquiatra Maria Sigurjonsdottir, chefe de uma equipe de 18 pessoas encarregadas de seguir quase de maneira permanente seu comportamento na cela durante três semanas neste ano, declarou que não foi detectada nenhum tipo de psicose no acusado.

“É extremamente improvável que tenha conseguido dissimular uma psicose por três semanas”, disse a especialista.

Os estudiosos não conseguem entrar em acordo sobre um diagnóstico para Breivik.

No ano passado, dois psiquiatras consideraram que Breivik era psicótico e sofria de “esquizofrenia paranóide”, e, portanto, era penalmente irresponsável.

Mas uma nova avaliação oficial realizada neste ano por outros dois especialistas concluiu que era responsável, após diagnosticar transtornos de personalidade – “narcisista e associal” – que não significam uma psicose.

Nesta segunda-feira, o tribunal também ouviu o depoimento de um veterano da psiquiatria, Einar Kringlen, que mudou de opinião depois de ter apoiado os resultados da primeira avaliação psiquiátrica.

“O mal não se explica sempre pela doença”, declarou, citando o exemplo do Holocausto. “Aparentemente não há limites para o mal do qual os seres humanos são capazes”, afirmou.

Se for declarado penalmente responsável, Breivik pode ser condenado a 21 anos de prisão, pena que pode ser prolongada enquanto for considerado perigoso.

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