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Facebook apaga 200 contas ligadas à interferência russa em eleição dos EUA

Contas criadas por agência russa estão ativas desde pelo menos 2016

Por EFE - 4 abr 2018, 19h58

O Facebook decidiu eliminar mais de 200 páginas de seu serviço e de sua subsidiária, o Instagram, as quais eram supostamente controladas por uma organização russa acusada de influenciar as eleições presidenciais americanas de 2016, vencidas por Donald Trump.

Segundo o jornal The Washington Post, a maioria das páginas eliminadas ontem estava em língua russa o que, segundo a companhia presidida por Mark Zuckerberg, é um sinal de que a manipulação realizada pelos russos na rede continuou meses depois das eleições presidenciais.

As páginas e contas eliminadas tinham sido criadas por um órgão chamado de Agência de Pesquisa de Internet, vinculada ao Kremlin e também conhecida como IRA (na sigla em inglês). Elas eram voltadas principalmente a cidadãos russos, ucranianos e de outros Estados da extinta União Soviética. No total, as páginas eliminadas tinham acumulado mais de 1,5 milhão de seguidores no Facebook e no Instagram.

Segundo o jornal americano, o Facebook bloqueou essas contas e páginas porque a IRA mentira sobre a identidade de seus criadores e algumas dessas páginas possuíam conteúdo específico sobre as eleições americanas. Não obstante, a companhia de internet afirmou que a maioria desses perfis não pareciam problemáticos, segundo o chefe de segurança do Facebook, Alex Stamos.

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“A segurança (nas redes) é um problema que não pode ser solucionado completamente”, escreveu Zuckerberg em sua página pessoal do Facebook. “Organizações como a IRA são adversários sofisticados que evoluem constantemente, mas continuaremos melhorando nossas técnicas para seguir em frente, especialmente quando se trata de proteger a integridade das eleições”.

Algumas dessas páginas faziam elogios ao presidente russo, Vladimir Putin, e à beleza das cidades russas. As contas da IRA gastaram cerca de 167.000 dólares em anúncios no Facebook e Instagram desde janeiro de 2015, segundo Stamos.

“Sabemos que a IRA e outros atores que procuram abusar do Facebook sempre mudam suas táticas para conseguir passar despercebidos por nossa equipe de segurança”, escreveu Stamos. “Esperamos poder encontrar mais [contas do tipo] e, se conseguirmos, também os derrotaremos”, acrescentou.

A decisão adotada pelo Facebook aconteceu dias depois que a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC, na sigla em inglês) decidiu investigar a companhia após o vazamento de dados de aproximadamente 50 milhões de usuários à empresa de consultoria política britânica Cambridge Analytica.

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A companhia britânica, que colaborou com a campanha de Donald Trump nas eleições presidenciais de 2016, usou tal informação para desenvolver um programa de computador destinado a prever as decisões dos eleitores e influenciá-los. Zuckerberg deve ir ao Congresso americano para esclarecer o escândalo no próximo dia 11 de abril.

A IRA já foi alvo de sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, que acredita que ela teria usado identidades falsas para se passar por cidadãos americanos nas redes sociais, a fim de gerar caos durante a campanha eleitoral.

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