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Exibição de filme sobre Pinochet provoca protestos no Chile

Polícia usou gás lacrimogênio e canhões d'água para dispersar manifestantes

Por Da Redação 10 jun 2012, 21h54

Centenas de pessoas enfrentaram a polícia chilena neste domingo durante protestos contra uma homenagem ao ex-ditador Augusto Pinochet, que incluía a exibição de um documentário sobre o general. Aos gritos de “Assassino! Assassino!”, cerca de 3.000 manifestantes foram reprimidos pela polícia, que usou gás lacrimogênio e canhões d’água para evitar o avanço do protesto em direção ao teatro Caupolicán, no centro de Santiago, onde ocorreu o evento.

“A polícia está limitando nossos passos para que a atividade em homenagem ao ditador possa ser realizada. Aqui está havendo uma homenagem a um criminoso”, disse Mireya García, vice-presidenta do Grupo de Familiares de Detidos e Desaparecidos, ao canal de televisão CNN Chile.

A homenagem foi organizado pela Corporação 11 de Setembro, cujo nome recorda o dia do golpe de Estado em 1973 contra o governo do presidente socialista Salvador Allende. No filme, cujo título é Pinochet, o ex-ditador é tratado como herói nacional. “Creio que na democracia temos todo o direito de celebrar”, disse o ex-militar Juan González, presidente da Corporação 11 de Setembro.

A polícia havia preparado uma forte operação para evitar distúrbios. Mais de 500 homens fora mobilizados nas proximidades do teatro, onde estavam mais de 1.000 simpatizantes do ex-ditador. Os detratores de Pinochet usaram paus e pedras, e o confronto se estendeu por mais de 3 horas até terminar com 25 detidos e 16 feridos (14 policiais e dois jornalistas), segundo o governo de Santiago.

Liberdade de expressão – Nos dias prévios ao evento deste domingo, houve um árduo debate sobre a permissão para se homenagear o ex-ditador. O governo disse que não compartilha com a iniciativa, mas que respeitava o direito de reunião. A Justiça, no entanto, rejeitou um recurso judicial que tentava evitar sua realização, algendo que não possui atribuições para proibir um ato que se realiza em um recinto privado.

Os últimos pinochezistas defendem com paixão a figura do ex-ditador chileno, que governo o país por 17 anos e morreu em 2006. Na opinião deles, a obra de Pinochet não foi reconhecida. O grupo se reúne semanalmente para analisar a situação política do país e homenagear o general. Eles exigem a libertação dos quase 70 militares presos por violações aos direitos humanos na ditadura, que deixou um saldo de mais de 3.000 vítimas, entre mortos e desaparecidos.

(Com agência France-Presse)

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