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Exclusiva: soldado Manning, do WikiLeaks, sofreu ‘tratamento cruel’, diz ONU

O soldado americano Bradley Manning, suspeito de ser o informante do Wikileaks, foi submetido a “um tratamento cruel” ao ser mantido em isolamento por meses durante o período em que cumpriu prisão preventiva nos Estados Unidos, declarou à AFP nesta segunda-feira um relator da ONU.

“Eu acredito que Bradley Manning foi submetido a um tratamento cruel, desumano e degradante constituído pelo isolamento excessivo e prolongado pelo qual passou durante os oito meses em que esteve na prisão de Quantico”, declarou Genève Juan Ernesto Mendez, relator especial da ONU sobre a tortura.

Durante parte da prisão preventiva que precedeu a acusação por uma corte marcial em fevereiro, Bradley Manning, detido em agosto de 2010, permaneceu em uma prisão situada na base militar americana de Quantico, na Virgínia.

Segundo Mendez, o “tratamento cruel” de isolamento ao qual foi submetido o jovem militar começou no final de abril de 2011, antes de ele ser transferido para a prisão de Fort Leavenworth, no Kansas.

“Felizmente, (o isolamento) acabou depois de sua transferência, mas a explicação que me deram sobre os oito meses anteriores não é convincente”, declarou Mendez, que fez estas declarações enquanto participava de uma reunião do Conselho dos Direitos Humanos da ONU, em Genebra.

Manning “é presumidamente inocente” e “não faz sentido submetê-lo a este tipo de tratamento, já que não foi condenado por crime algum”, acrescentou o relator especial argentino.

Em 2011, grupos de defesa dos direitos Humanos acusaram os fuzileiros navais de infligirem ao soldado Manning condições prisionais muito duras em Quantico.

Estas condições – Manning foi mantido em confinamento solitário em uma cela onde tinha permissão para sair apenas por uma hora diária e era forçado a dormir nu – foram criticadas por organizações como a Anistia Internacional e a American Civil Liberties Union (ACLU).

O Exército dos Estados Unidos anunciou em outubro de 2011 o fechamento da prisão de Quantico por razões econômicas.

Bradley Manning é acusado de passar para o site Wikileaks, entre novembro de 2009 e maio de 2010, documentos militares americanos sobre as guerras no Iraque e no Afeganistão, e 260 mil telegramas do Departamento de Estado, desencadeando uma crise na diplomacia mundial.

Ele foi formalmente indiciado por “cumplicidade com o inimigo” por uma corte marcial em 23 de fevereiro, na base militar de Fort Meade, Maryland.

O soldado raso, de 24 anos, também foi acusado de “incentivar a publicação de informações na internet, sabendo que seriam acessíveis ao inimigo”, “roubo de propriedade e arquivos públicos”, “utilização de programas não-autorizados com informações confidenciais” e ainda “violação das regras das Forças Armadas”.

Se for considerado culpado em seu julgamento, cuja data ainda não foi marcada, Bradley poderá ser condenado à prisão perpétua.

Durante uma intervenção diante do Conselho dos Direitos Humanos da ONU, o relator especial declarou que considera preocupante qualquer detenção de isolamento por mais de quinze dias, sem fazer referência explícita ao caso de Bradley Manning.