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Ex-braço direito de Kadafi é detido na Mauritânia

Antigo chefe do serviço secreto da Líbia era procurado pelo Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade

Abdullah Senussi, antigo pilar do regime líbio de Muamar Kadafi, foi detido na madrugada deste sábado no aeroporto da capital da Mauritânia, Nuakchot. Contra ele, havia uma ordem de prisão do Tribunal Internacional (TPI) por crimes contra a humanidade cometidos na Líbia durante as revoltas insurgentes no país que aconteceram a partir de fevereiro de 2011.

A detenção de Senussi, um coronel de 62 anos e cunhado do ditador morto, foi confirmada pelo Conselho Nacional de Transição (CNT), que governa o país desde a queda e morte de Kadafi. Sanusi foi preso ao desembarcar de um voo comercial procedente de Casablanca, no Marrocos. Uma fonte do governo declarou à Agência France-Presse que o ex-chefe do serviço secreto viajava com um passaporte falsificado no Mali.

O governo de Trípoli já afirmou neste sábado que vai reivindicar a extradição de Senussi para ser julgado na Líbia. Segundo o ministro de Justiça do país, Khalifa Achour, as autoridades já estão em contato para saber as circunstâncias e os detalhes da detenção do coronel, e considerou que o feito ‘é uma vitória para a revolução líbia’.

“Este indivíduo cometeu crimes e massacres antes e durante a revolução. Pedimos a todos, especialmente aos nossos irmãos mauritanos, que nos entreguem este criminoso”, declarou Achour à rede de TV Al Jazeera.

Senussi integrava o núcleo de confiança do ditador que governou a Líbia por 42 anos e comandou, durante anos, o serviço secreto militar do país, considerado “um dos órgãos de repressão mais poderosos e eficientes do regime” pelo Tribunal Penal Internacional.

Desde 27 de junho estava em vigor uma ordem de detenção do TPI contra Senussi por crimes contra a humanidade cometidos na Líbia a partir de fevereiro de 2011, data em que teve início a revolta popular no país. A mesma ordem foi emitida para Seif Islam, filho de Kadafi, considerado seu sucessor político, capturado por autoridades líbias em novembro de 2011.

O Tribunal Penal Internacional (TPI) tem competência para julgar crimes sempre e quando os envolvidos não estejam sendo procurados pelas autoridades judiciais nacionais.

A Mauritânia, contudo, não está entre os países signatários desse acordo, firmado pelo Tratado de Roma, e o governo ainda não informou se pretende entregar Senussi à justiça internacional.

(Com agências EFE e France-Presse)