Ucrânia participa pela primeira vez de exercício da Otan para testar sistemas antidrones
Veículos não tripulados desempenham papel crucial no conflito entre Moscou e Kiev

A cúpula anual da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a principal aliança militar ocidental, concluiu um importante exercício antidrones nesta semana, com a participação da Ucrânia pela primeira vez. Realizado em uma base militar na Holanda, o exercício reuniu mais de 20 países e cerca de 50 empresas para testar sistemas avançados de detecção e neutralização de drones. Essa foi a quarta edição anual do evento.
Durante 11 dias, o foco esteve na demonstração de técnicas de bloqueio e hacking de drones, que desempenham um papel crucial no conflito entre Rússia e Ucrânia.
Na quarta-feira, 18, um ataque em larga escala de drones ucranianos resultou na explosão de um arsenal russo. No dia seguinte, o presidente russo, Vladimir Putin, anunciou um aumento significativo na produção de drones, que deverá atingir quase 1,4 milhão neste ano.
A proliferação de drones no conflito, usados tanto para ataques quanto para reconhecimento, levou a Otan a intensificar seu foco na ameaça representada por esses dispositivos. “A Otan leva essa ameaça muito a sério”, afirmou Matt Roper, chefe do Centro Conjunto de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento da aliança. “Este não é um domínio em que podemos ser passivos.”
Especialistas alertaram que a aliança precisa se atualizar rapidamente em relação à guerra de drones. Um relatório do Centro de Análise de Política Europeia, publicado em setembro, destacou que a aliança possui poucos drones para enfrentar um adversário equivalente. “Ela enfrentaria sérias dificuldades para integrar efetivamente os que possui em um ambiente contestado”, afirmou o comunicado.