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Ex-ativista da Alemanha Oriental será o novo presidente alemão

Por John Macdougall 19 fev 2012, 19h55

A chanceler Angela Merkel disse à sua coalizão e à oposição que concordou neste domingo com a nomeação do ex-ativista da Alemanha Oriental, Joachim Gauck, o candidato consensual para se tornar o próximo presidente da Alemanha.

A decisão foi tomada depois da renúncia de Christian Wulff do cargo na sexta-feira por causa de um caso de corrupção e após membros do próprio partido conservador de Merkel derrubarem suas objeções a Gauck, de 72 anos.

Merkel, que cresceu na comunista Alemanha Oriental e que, como Gauck, é protestante, chamou o popular pastor de um “verdadeiro professor de democracia” que ajudou o país a se integrar depois da reunificação em 1990.

“Este homem pode oferecer um importante impulso para os desafios de nosso tempo e do futuro,” disse ela depois de um encontro com representantes de seu governo de centro-direita e da oposição no centro de Berlim neste domingo à noite.

Gauck era candidato da oposição social-democrata e dos Verdes em junho de 2010 contra Wulff, um ex-primeiro-ministro de estado cristão-democrata, escolhido a dedo por Merkel como uma espécie de árbitro moral para o país.

Apesar do forte apoio de Merkel, Wulff só foi eleito na terceira rodada de votações – um conturbado começo de uma Presidência arruinada.

A oposição apoiou Gauck nessa ocasião, assim como após a decisão de Wulff de renunciar. Apenas o partido de extrema esquerda Die Linke, que inclui muitos comunistas da antiga Alemanha Oriental, disse que suspenderia o apoio quando o presidente for eleito em março.

Os conservadores estavam a princípio relutantes em apoiá-lo por verem nisso uma perda de identidade e um presente político para a oposição, mas seu desejo de pôr fim a um capítulo danoso prevaleceu no final.

A vitória de Gauck está agora assegurada com uma clara maioria de apoio na assembleia dos deputados e lideranças que escolhe o presidente.

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Um Gauck visivelmente emocionado, que a maioria dos alemães considera que pode recuperar a credibilidade do posto depois da série de escândalos de Wulff, disse que está profundamente honrado por ter sido nomeado.

“Este é um dia muito especial para mim, mesmo em uma vida na qual tive várias,” disse a jornalistas.

Ele ressaltou o fato de alguém nascido durante a II Guerra Mundial e que viveu 50 anos sob uma ditadura ter chegado à chefia do Estado.

Gauck, que não é filiado a um partido, disse que quer ajudar os alemães a recuperar a “fé em sua própria força” frente à crise da Eurozona.

Gauck nasceu em janeiro de 1940 em Rostock (noroeste) e optou por seguir a vida de pastor da Igreja Luterana, sendo testemunha de detenções arbitrárias em sua paróquia. Em uma RDA onde as igrejas desfrutavam de certa tranquilidade, Gauck utilizou sua posição para defender os direitos humanos.

Durante as primeiras manifestações contra o regime comunista em 1989, que terminaram com a queda do Muro de Berlim em novembro desse ano, Gauck tornou-se porta-voz da formação opositora Novo Fórum de Rostock.

No dia 3 de outubro de 1990 foi escolhido para dirigir o centro encarregado de conservar e explorar os arquivos da Stasi, a polícia secreta da RDA. Ocupou o posto durante 10 anos e foi elogiado pela maneira como tentou unir justiça, verdade e reconciliação.

Os partidos cristãos (CDU/CSU) de Merkel e seu aliado liberal (FDP), o Partido Social Democrata (SPD) e os Verdes contam com uma cômoda maioria para que Gauck seja eleito.

Gauck será oficialmente eleito por uma assembleia federal composta por deputados da Bundestag e por delegados do mundo político e da sociedade civil escolhidos pelos parlamentos regionais, uma eleição que se deve ser realizada antes de 18 de março.

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