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EUA vão retirar parte de suas tropas do Paquistão

Para Hillary Clinton, trabalhar com o país é uma necessidade estratégica

O Exército dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira a retirada de parte de suas tropas do Paquistão. “Há duas semanas, fomos notificados de que o governo do Paquistão queria que os Estados Unidos reduzissem suas tropas no país. Portanto, nós começamos essas reduções”, informou o porta-voz do Pentágono, o coronel Dave Lapan. Atualmente, há cerca de 200 soldados americanos no Paquistão para auxiliar no treinamento do Exército local, apesar de haver suspeitas de que existam também membros de serviços de inteligência e forças especiais operando no país. De acordo com Lapan, o número de soldados retirados da região deve ser pequeno. Desconfianças – O pedido ocorreu depois que uma operação militar americana matou o líder da rede terrorista Al Qaeda, Osama bin Laden, em 2 de maio, na cidade paquistanesa de Abbottabad. Para muitos paquistaneses, a operação, desconhecida pelas autoridades locais até o seu estopim, é uma afronta à soberania do país. O Parlamento do Paquistão também condenou o ato. No governo americano, há uma forte suspeita de que oficiais do governo e da inteligência paquistanesa sabiam onde bin Laden estava escondido. As relações entre os dois países, que sempre foram complexas e frágeis, estão ainda mais deterioradas após a morte do líder da Al Qaeda. Estratégia – Em outra tentativa de amenizar as tensões entre os dois países, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou nesta quinta-feira que trabalhar com o Paquistão é uma necessidade estratégica para os Estados Unidos. Segundo ela, o país tem sido um bom aliado no combate ao terrorismo. “Eles têm estado ativamente engajados na sua própria luta contra esses terroristas, extremistas que atiram indiscriminadamente contra pessoas de todas as idades, e nós vamos procurar colocar nossa parceria em um forte alicerce, avançando o máximo possível”, disse ela, em uma coletiva de imprensa em Paris. Atentado – Contudo, o Paquistão ainda terá muito trabalho para acabar com os grupos radicais que atuam na região. A polícia local informou, nesta quinta, que pelo menos 25 pessoas morreram e 56 ficaram feridas na explosão de um carro-bomba perto de um tribunal da cidade de Hangu, no noroeste do país. “Era um terrorista suicida em um carro-bomba, que tinha como alvo uma delegacia de polícia da cidade”, disse Masud Khan Afridi, chefe da polícia. O braço paquistanês do talibã assumiu a autoria do ataque, afirmando tratar-se de mais uma vingança pela morte de Osama bin Laden. (Com agências France-Presse e Reuters)