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EUA suspendem a proibição de voos para Israel

Decisão só vale para companhias aéreas americanas, mas empresas europeias também devem retomar suas rotas. EUA criticam resolução da ONU contra Israel

A Administração da Aviação Federal (FAA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos suspendeu a proibição de voos do país para o aeroporto internacional de Tel Aviv, em Israel, depois de analisar as medidas de Estado judeu para reduzir os riscos à segurança dos passageiros. A decisão passou a valer à 0h45 (horário de Brasília). “Antes de tomar esta decisão, a FAA trabalhou com os seus homólogos do governo dos EUA para avaliar a situação de segurança em Israel e a informação que tivemos é de que o governo local está tomando medidas para reduzir os riscos potenciais para a aviação civil”, informou a entidade por meio de um comunicado publicado em seu site.

A suspensão durou por dois dias e foi tomada sob a alegação do risco que as aeronaves corriam de serem atingidas por foguetes do Hamas. A decisão se aplica apenas às companhias áreas americanas. As outras empresas aéreas que anunciaram suspensão de voos para Tel Aviv, sobretudo as europeias, também devem rever a medida.

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Desde as 20h (de Brasília) de terça-feira, oitenta voos que chegariam ou sairiam do aeroporto internacional de Tel Aviv foram cancelados. Além das companhias americanas, as gigantes europeias Lufthansa e a Air France também suspenderam os voos para Israel. A proibição dos voos dos EUA para Israel foi criticada pelo governo israelense e pelo senador republicado Ted Cruz.

EUA criticam a ONU – A Casa Branca defendeu nesta quarta sua oposição à resolução aprovada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU contra Israel por sua ofensiva militar contra a Faixa de Gaza, por considerá-la partidária. A porta-voz adjunta do Departamento de Estado, Marie Harf, opinou que a resolução do Conselho de Direitos Humanos da ONU “é a última de uma série de ações partidárias anti-israelenses”. Dos 47 países-membros do Conselho, a resolução foi aprovada por 29 votos, enquanto houve 17 abstenções.

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O único voto contrário foi dos Estados Unidos, que consideraram o conteúdo da resolução como “destrutivo” e que a mesma não contribui em nada para o fim das hostilidades. Além disso, o Conselho criou uma comissão para investigar os crimes e violações do direito internacional que tenham sido cometidos, o que foi fortemente rechaçado pelo Departamento de Estado porque, segundo a porta-voz, só aborda um ponto de vista.

Vítimas – Nesta quinta-feira, o leste da cidade de Khan Yunes, no sul da Faixa de Gaza, foi submetido a intensa artilharia de tanques e aviões israelenses, o que levou ao êxodo da população e causou a morte de 26 pessoas, a maioria civis, em apenas 24 horas. A infantaria israelense está enfrentando forte resistência das milícias palestinas no local. Desde que Israel começou sua ofensiva militar contra a Faixa de Gaza no início deste mês, pelo menos 725 palestinos morreram, entre eles muitas mulheres e crianças. Os palestinos feridos passam das 4.300 pessoas. Do lado israelense, 35 pessoas morreram. A comunidade internacional intensifica os esforços diplomáticos para um cessar-fogo, mas as negociações até agora não resultaram em uma trégua.

O Hamas costuma ameaçar as pessoas que tentam fugir dos locais dos bombardeios justamente para tentar fazer com que as imagens de vítimas civis choquem o mundo. Em pelo menos uma dessas oportunidades, a Força Aérea israelense suspendeu um ataque depois que dezenas de civis subiram em um prédio que seria bombardeado. Os civis estavam sendo usados como escudos-humanos para proteger instalações do Hamas. A Faixa de Gaza é uma área de 362 km² (menor que a Zona Sul de São Paulo ou do Rio), densamente povoada, onde vivem 1,8 milhão de pessoas em meio à miséria, submetidas ao comando do Hamas.

(Com agências Reuters, EFE e Estadão Conteúdo)